Milênio
χίλια ἔτη · chília étē

Termo original
χίλια ἔτη (grego), transliterado chília étē.
Significado
Milênio é a palavra que usamos para os "mil anos" de Apocalipse 20. A palavra vem do latim e significa justamente mil anos. Na Bíblia, a expressão aparece apenas nesse capítulo, repetida seis vezes, e ali está ligada ao reinado de Cristo e dos seus santos, à prisão de Satanás e à primeira ressurreição.
O texto diz que um anjo desce do céu com a chave do abismo e prende o dragão, que é a antiga serpente, o diabo e Satanás. Ele fica preso mil anos para não enganar mais as nações. Depois desse tempo, será solto por pouco tempo. Também aparecem tronos, pessoas que reinam com Cristo e a promessa de que a segunda morte não terá poder sobre elas.
O ponto em que os cristãos mais conversam, e às vezes discordam, é como ler esses mil anos. Há três leituras principais entre os evangélicos. Todas afirmam que Cristo voltará, que haverá ressurreição e juízo, e que ele vencerá o mal de forma definitiva. A diferença está no momento e na natureza do milênio.
No pré-milenismo, Cristo volta antes do milênio e reina de modo visível na terra por mil anos, literais ou longos. Dentro desse grupo há quem situe o arrebatamento da igreja antes, no meio ou depois da grande tribulação. No amilenismo, os mil anos descrevem simbolicamente o tempo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, com o reino já em andamento de forma espiritual e os santos reinando com ele no céu. No pós-milenismo, o evangelho avança e traz grande fruto na história, e Cristo volta depois de um longo período de paz e de influência cristã.
O texto antigo do verbete tratava a questão de modo resumido e confundia um pouco os termos. Convém dizer com clareza: o pós-milenismo coloca a volta de Cristo depois do milênio, e o amilenismo entende o milênio como o tempo presente da igreja. Em ambos, a vinda é única e final.
Onde aparece na Bíblia
Apocalipse 20:1-3
E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos. Lançou-o no abismo, o qual fechou e selou sobre ele, para que não enganasse mais as nações até que os mil anos se completassem. Depois disto é necessário que ele seja solto por um pouco de tempo.
João vê um anjo com a chave do abismo e uma grande corrente. O dragão é preso e lançado no abismo por mil anos, para não enganar mais as nações até se completar esse tempo. É aqui que o termo aparece pela primeira vez. Para uns, é uma restrição real que já começou com a obra de Cristo. Para outros, é um período ainda futuro.
Apocalipse 20:4-6
Então vi uns tronos; e aos que se assentaram sobre eles foi dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na fronte nem nas mãos; e reviveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se completassem. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos.
João vê tronos, e sobre eles estão os que receberam autoridade para julgar. São lembrados os que foram fiéis até a morte por causa do testemunho de Jesus. Eles vivem e reinam com Cristo mil anos. O texto chama isso de primeira ressurreição e declara bem-aventurados os que participam dela. Alguns leem essa ressurreição como corporal, outros como a vida espiritual dos que morreram em Cristo e estão com ele.
Apocalipse 20:7-10
Ora, quando se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão, e sairá a enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, a fim de ajuntá-las para a batalha. E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade querida; mas desceu fogo do céu, e os devorou; e o Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos.
Terminado o tempo, Satanás é solto, engana as nações e reúne uma multidão para a batalha final. Fogo desce do céu, e o diabo é lançado no lago de fogo. A cena mostra que o mal não tem a última palavra. O trecho é lido de formas diferentes quanto ao momento, mas todas as linhas concordam com o resultado: a derrota definitiva do inimigo.
Apocalipse 20:11-15
E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiram a terra e o céu; e não foi achado lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. O mar entregou os mortos que nele havia; e a morte e o hades entregaram os mortos que neles havia; e foram julgados, cada um segundo as suas obras. E a morte e o hades foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. […]
Depois do milênio, João vê o grande trono branco. Os mortos são julgados segundo suas obras, e os livros são abertos, junto com o livro da vida. A morte e o inferno são lançados no lago de fogo. É o juízo final, que fecha a história antes da nova criação.
Apocalipse 21:1-4
E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe. E vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, adereçada como uma noiva ataviada para o seu noivo. E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.
Em seguida vêm um novo céu e uma nova terra. Deus habita com os homens, enxuga toda lágrima e a morte deixa de existir. Este é o alvo para o qual todas as leituras do milênio apontam, e por isso o capítulo ajuda a lembrar que o centro da esperança é a presença de Deus com o seu povo.
Isaías 11:6-9
Morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará; e o bezerro, e o leão novo e o animal cevado viverão juntos; e um menino pequeno os conduzirá. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; e o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e a desmamada meterá a sua mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte; porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.
Isaías descreve um reino de paz em que o lobo habita com o cordeiro e a terra se enche do conhecimento do Senhor. Os pré-milenistas costumam ver aqui um retrato do reinado de Cristo na terra. Outros leem o texto como figura da paz de Deus na nova criação ou do efeito do evangelho.
1 Coríntios 15:22-26
Pois como em Adão todos morrem, do mesmo modo em Cristo todos serão vivificados. Cada um, porém, na sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda. Então virá o fim quando ele entregar o reino a Deus o Pai, quando houver destruído todo domínio, e toda autoridade e todo poder. Pois é necessário que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo de seus pés. […]
Paulo explica a ordem da ressurreição: Cristo, as primícias, depois os que são de Cristo na sua vinda. Fala também de Cristo reinando até que todos os inimigos estejam sob seus pés, sendo a morte o último. Esse trecho é muito usado nas discussões sobre o milênio, porque cada linha o lê de modo diferente quanto à sequência dos acontecimentos.
2 Pedro 3:8-9
Mas vós, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.
Pedro lembra que para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia. Ele diz isso para explicar a aparente demora da promessa da volta de Cristo, pois Deus é paciente e quer que todos se arrependam. O texto não fala do milênio, mas alerta contra a leitura puramente aritmética do tempo de Deus.
Como entender hoje
A discussão sobre o milênio é antiga, e cristãos sérios e fiéis à Bíblia chegaram a conclusões diferentes. Isso pede humildade. Vale estudar o texto, ouvir o que a sua igreja ensina e conversar com respeito com quem pensa de outro modo, sem fazer desse assunto um motivo de divisão.
O que une todas as visões é mais importante do que o que as separa. Jesus voltará de forma pessoal e visível, os mortos ressuscitarão, haverá juízo e Deus fará novas todas as coisas. Essa esperança não é para alimentar especulação sobre datas, que o próprio Jesus disse que ninguém conhece, mas para sustentar uma vida fiel.
Apocalipse foi escrito a igrejas que sofriam pressão e perseguição. Os mil anos eram, antes de tudo, uma palavra de consolo: quem parece vencido pelo mundo reina com Cristo, e o inimigo está limitado. Quem está cansado ou aflito pode ler o capítulo como lembrete de que a história está nas mãos de Deus.
Na prática, a espera pela volta de Cristo convida a viver com vigilância, a anunciar o evangelho, a amar o próximo e a perseverar na fé. Mais do que montar um quadro de acontecimentos, a pergunta que o texto faz ao leitor é se ele está em Cristo e se vive como quem aguarda o seu Senhor.
Para momentos assim, leia também: Esperança e futuro.
Perguntas frequentes
O que é o milênio na Bíblia?
É o período de mil anos descrito em Apocalipse 20, durante o qual Satanás fica preso e os fiéis reinam com Cristo. A palavra "milênio" vem do latim e quer dizer mil anos. A Bíblia só fala desse período nesse capítulo, e por isso há leituras diferentes entre os cristãos sobre quando ele acontece e como deve ser entendido: como tempo literal na terra, como o presente da igreja ou como uma era de grande avanço do evangelho.
Qual a diferença entre pré-milenismo, amilenismo e pós-milenismo?
No pré-milenismo, Cristo volta antes do milênio e reina na terra. No amilenismo, os mil anos são simbólicos e correspondem ao tempo da igreja, entre a primeira e a segunda vinda de Cristo. No pós-milenismo, o evangelho avança de modo marcante na história e Cristo volta depois de um longo tempo de paz. As três leituras creem na volta de Cristo, na ressurreição dos mortos e no juízo final.
Os mil anos do Apocalipse são literais?
Os cristãos divergem. Muitos pré-milenistas entendem como um período real de mil anos ou de longa duração. Amilenistas e pós-milenistas lembram que Apocalipse usa muitos números simbólicos e que mil pode indicar plenitude. O argumento de cada lado se apoia no gênero do livro, nas outras passagens sobre a volta de Cristo e na tradição da igreja. O mais seguro é ler o texto com cuidado e sem dogmatismo sobre o que a Bíblia não esclarece.
O milênio é o mesmo que o céu?
Não. Na leitura do texto, o milênio vem antes do juízo final e da nova criação descrita em Apocalipse 21 e 22. O céu, entendido como a presença plena de Deus, e a nova terra são o destino final. Para os pré-milenistas, o milênio é um reino visível de Cristo na terra. Para os amilenistas, é a situação atual dos que morreram em Cristo e reinam com ele, enquanto a igreja vive na terra.
Preciso escolher uma visão do milênio para ser salvo?
Não. A salvação vem pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo, e não por acertar uma posição sobre o fim dos tempos. Você pode ter uma convicção e respeitar quem pensa diferente. O importante é confiar em Cristo, viver em santidade e aguardar a sua volta. Estude, converse com seu pastor e mantenha a unidade com os irmãos, mesmo quando as leituras não coincidem.
Capítulos para ler
- Apocalipse 20: É o único capítulo que menciona os mil anos e vale ser lido com calma, do início ao fim.
- Apocalipse 21: Mostra o destino final: novo céu, nova terra e Deus habitando com o seu povo.
- 1 Coríntios 15: Paulo trata da ressurreição e da ordem dos acontecimentos na vinda de Cristo.
- Isaías 11: Retrata o reinado do Messias, com justiça e paz, que muitos relacionam ao tema.
- Mateus 24: Jesus fala da sua volta e pede que seus discípulos vigiem, sem fixar datas.
Verbete da Rádio Aleluia baseado em Easton's Bible Dictionary (1897), obras em domínio público, ampliado com auxílio de inteligência artificial; as referências foram conferidas na Bíblia do site. Viu algum erro? Escreva para a rádio.
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