Boas notícias12/10/2026

Anvisa libera testes em humanos de vacina brasileira contra a malária vivax

Criada na UFMG em parceria com a USP e o laboratório Cristália, a Vivaxin pode se tornar a primeira vacina do mundo contra o tipo de malária mais comum no Brasil

Anvisa libera testes em humanos de vacina brasileira contra a malária vivax
Foto: Laudemiro Bezerra/ MSNova conquista da ciência brasileira! A Anvisa autorizou os / Só Notícia Boa

Uma vacina criada inteiramente no Brasil acaba de ganhar sinal verde para ser testada em pessoas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos ensaios clínicos da Vivaxin, imunizante desenvolvido para prevenir a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax, responsável pela maior parte dos casos da doença no país. A autorização saiu em resolução publicada em 6 de outubro, e o projeto foi apresentado pelo Ministério da Saúde no sábado, 10 de outubro.

A notícia chama a atenção por um motivo simples: hoje não existe, em lugar nenhum do mundo, uma vacina disponível para a população contra esse tipo de malária. As duas vacinas recomendadas internacionalmente foram feitas contra outra espécie do parasita, o Plasmodium falciparum, que predomina na África. Se a Vivaxin passar por todas as etapas e provar que é segura e eficaz, poderá ser a primeira do gênero.

Quinze anos de laboratório

A vacina nasceu no Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com a colaboração de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do laboratório farmacêutico Cristália. Segundo reportagem do jornal O Sul, o trabalho em laboratório já soma cerca de 15 anos. O mesmo centro da UFMG também pesquisa tecnologias contra outras doenças, como Chagas, mpox e covid-19.

O coordenador do CTVacinas, Ricardo Gazzinelli, explicou que o diferencial do imunizante é reunir pedaços de diferentes variantes do parasita, e não de uma só. “O que nós fizemos no laboratório deu 100%. Agora, isso tem que ser testado em humano”, afirmou o pesquisador, segundo O Sul.

O Ministério da Saúde prevê R$ 12 milhões para apoiar as três fases de ensaios clínicos.

Como vai funcionar o estudo

A primeira fase reunirá 48 voluntários saudáveis, de 18 a 59 anos, que nunca tenham tido malária. Os testes serão feitos no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte. Os pesquisadores vão avaliar três dosagens diferentes da vacina. Parte dos participantes receberá a candidata a vacina; a outra parte, um placebo, substância sem o princípio ativo, que serve de comparação.

O esquema prevê três aplicações, com intervalo de 28 dias entre elas, e acompanhamento médico por 360 dias. Nessa etapa, o objetivo não é ainda saber se a vacina protege contra a doença, mas verificar se ela é segura, quais reações pode causar e se consegue estimular uma resposta do sistema de defesa do corpo.

Se tudo correr bem, vêm as fases seguintes, que, de acordo com O Sul, devem envolver mais de 300 voluntários na Amazônia, onde a doença circula. Só depois de concluídos os estudos e comprovadas a segurança e a eficácia é que se pode pedir o registro à Anvisa. A expectativa dos cientistas, segundo a mesma reportagem, é que a vacina chegue aos postos de saúde em cinco a sete anos. Até lá, é bom lembrar: a autorização de agora permite os testes, mas não significa que a vacina já esteja aprovada para uso.

Por que isso importa para o Brasil

A malária é transmitida pela picada de mosquitos do gênero Anopheles infectados pelo parasita. Os sintomas incluem febre, calafrios, dor de cabeça e dores no corpo. Em 2025, o Brasil registrou 118.037 casos, segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde, quase todos na região amazônica, sobretudo em áreas rurais, aldeias indígenas e lugares de difícil acesso aos serviços de saúde.

De acordo com o ministério, o Plasmodium vivax responde por cerca de 85% ou mais dos casos no país. Ele predomina nas Américas e em partes da Ásia. Um dos desafios desse parasita é a capacidade de ficar “escondido” no fígado e provocar novos episódios da doença tempos depois, o que torna a prevenção ainda mais importante.

Hoje, o combate à malária no Brasil se apoia no controle dos mosquitos, no diagnóstico rápido e no tratamento das pessoas infectadas. Uma vacina específica contra o vivax seria mais uma ferramenta nessa luta, especialmente para comunidades ribeirinhas e indígenas que vivem longe de hospitais.

Ciência a serviço do próximo

Por trás de uma notícia como essa estão anos de trabalho paciente de pesquisadores, técnicos e, agora, de 48 voluntários que vão oferecer um ano de acompanhamento para que outras pessoas, muitas delas que nunca vão conhecer, possam um dia estar protegidas. É uma forma silenciosa de amar o próximo: usar o conhecimento e o tempo para aliviar o sofrimento de quem mora nos rincões da Amazônia. Que os estudos avancem com segurança e que o fruto desse esforço chegue a quem mais precisa.

Com informações de Só Notícia Boa e Jornal O Sul.

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