Bíblia em Libras vai ganhar Provérbios, Eclesiastes, João e 30 salmos em três anos
Sociedade Bíblica do Brasil anuncia a nova etapa da tradução para a Língua Brasileira de Sinais; Jonas e Rute, lançados em 2025, foram os primeiros livros bíblicos em Libras

A Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) anunciou a próxima etapa da tradução da Bíblia para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Em três anos, a equipe pretende traduzir os livros de Provérbios e Eclesiastes, o Evangelho de João e 30 salmos escolhidos pela própria comunidade surda. A informação está na página da campanha Sinal de Esperança, que arrecada doações para o projeto, e foi divulgada pelo portal Comunhão em 31 de outubro.
Segundo a SBB, os livros de Jonas e Rute, lançados em 2025, foram os primeiros da Bíblia traduzidos para Libras. Junto com os textos bíblicos, a equipe produziu introduções, glossário e devocionais em Libras, feitos por pessoas surdas, além de livros infantis e materiais em português com recursos de acessibilidade.
A nova fase inclui os 31 capítulos de Provérbios, os 12 de Eclesiastes e os 21 do Evangelho de João. Os 30 salmos serão gravados em três blocos de dez. De acordo com a organização, o plano também prevê materiais de estudo, devocionais, introduções, treinamentos e vídeos.
A Libras não é uma versão em gestos do português falado: tem gramática e estrutura próprias. Por isso, como explica a Comunhão, a tradução exige padronizar sinais para termos bíblicos e gravar cada capítulo em estúdio, com tradutores e intérpretes surdos. Em artigo publicado no site da SBB sobre a gravação de Jonas, citado pelo portal, a intérprete Mauriana Cascais contou que outras pessoas surdas ajudaram a corrigir erros que a equipe não havia percebido. “Foi desafiador, muitas vezes é difícil, porque é uma gravação formal, não é fácil”, afirmou.

Os números apresentados pela SBB na campanha mostram o tamanho do desafio: há mais de 70 milhões de surdos no mundo, que se comunicam em mais de 400 línguas de sinais. No Brasil, por volta de 5% da população tem algum grau de perda auditiva, o que corresponde a mais de 10 milhões de pessoas. A organização lembra ainda que 90% das pessoas surdas nascem em famílias ouvintes e que a maioria dos pais não aprende a língua de sinais, o que cria barreiras de comunicação e isolamento. Para muitos surdos, uma Bíblia impressa ou um culto apenas falado não garante a compreensão do texto.
O anúncio ganha destaque na data em que os evangélicos lembram a Reforma Protestante, 31 de outubro, ligada, como observa a Comunhão, à defesa de que cada povo possa ler as Escrituras na própria língua. A campanha Sinal de Esperança aceita doações de pessoas físicas e de empresas pela plataforma da SBB; a página não divulga meta financeira nem a data de início da nova etapa. Igrejas e ministérios com surdos também podem usar nos encontros os vídeos e materiais já publicados pela organização.
Com informações de Comunhão e Sociedade Bíblica do Brasil.



Deixe sua palavra
Comentários com respeito e amor edificam a todos.