Boas notícias28/10/2026

Cinco professores da Ufal aparecem entre os cientistas mais citados do mundo

Lista da Universidade de Stanford com a editora Elsevier inclui pesquisas alagoanas sobre água limpa, remédios contra a dengue, som e biodiversidade

Cinco professores da Ufal aparecem entre os cientistas mais citados do mundo
Foto: reprodução / Alagoas Notícia Boa

Cinco professores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) estão na edição de 2026 de um dos levantamentos mais conhecidos da ciência mundial: a lista de pesquisadores de maior impacto elaborada por cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e publicada pela editora científica Elsevier. A notícia, divulgada pela universidade em 27 de outubro, chama a atenção por um motivo simples: mostra que trabalho sério feito no Nordeste, longe dos grandes centros, está sendo lido e usado por pesquisadores do mundo inteiro.

Os nomes são Richard Ladle, Lucas Meili, Edeildo Ferreira da Silva Júnior, Glauber Tomaz Silva e Patrícia Muniz de Medeiros. Os cinco já estavam na edição de 2024 e voltaram a aparecer agora, o que, segundo a Ufal, indica uma produção constante, e não um destaque isolado.

Como funciona a lista

O levantamento usa dados da Scopus, uma das maiores bases internacionais de artigos científicos. Em vez de premiar a quantidade de textos publicados, ele mede quanto o trabalho de cada pesquisador é aproveitado por outros cientistas. Entram na conta, por exemplo, as citações recebidas (descontando as que o próprio autor faz de si mesmo), a forma de participação em cada artigo e o chamado índice h, que combina produção e repercussão.

Prédio do Instituto de Matemática da Universidade Federal de Alagoas
Prédio do Instituto de Matemática da Universidade Federal de Alagoas Foto: WiredAlexandria / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A lista reúne os cem mil pesquisadores mais bem pontuados do planeta e também os que estão entre os 2% mais citados em suas áreas. Há dois recortes: um olha para toda a carreira e outro, para as citações recebidas em um único ano, neste caso 2025. Os cinco professores da Ufal aparecem no recorte anual, e três deles, Richard Ladle, Glauber Silva e Patrícia Muniz, também figuram no recorte da carreira inteira.

Pesquisas que tocam o dia a dia

O que mais interessa ao leitor, porém, é o que esses cientistas estudam. Richard Ladle, britânico que leciona no Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da Ufal desde 2011, coordena o Laboratório de Conservação do Século 21 (Lacos 21) e pesquisa biogeografia e preservação ambiental. É o docente alagoano mais bem colocado na lista geral do ano, na 60.175ª posição mundial.

No Centro de Tecnologia, Lucas Meili trabalha com tratamento de água e com materiais capazes de retirar poluentes, como o biocarvão e os chamados pontos quânticos de carbono. “Esse reconhecimento mostra que é possível fazer ciência relevante internacionalmente a partir de Alagoas, mesmo com os desafios cotidianos”, disse o professor ao portal Alagoas Notícia Boa.

Edeildo Ferreira da Silva Júnior, que fez toda a formação acadêmica na própria Ufal, procura substâncias com ação antiviral contra dengue, zika e chikungunya, doenças que conhecemos bem no Brasil. Na classificação específica da área de Química Medicinal e Biomolecular, que reúne mais de 120 mil cientistas, ele subiu para a 1.138ª posição. O professor fez questão de dividir o mérito com o Grupo de Pesquisa em Química Biológica e Molecular (GPQBioMol), lembrando que são os estudantes e colegas que transformam os projetos em realidade.

No Instituto de Física, Glauber Tomaz Silva coordena o Grupo de Acústica Física e estuda como ondas sonoras conseguem mover pequenas partículas dentro de líquidos, uma área chamada acustofluídica, com uso em laboratórios e na indústria. Na subárea de Acústica, ele aparece em 684º lugar no mundo.

Já Patrícia Muniz de Medeiros, do Centro de Engenharias e Ciências Agrárias, pesquisa etnobotânica: a relação entre as comunidades humanas e as plantas que elas usam, e como essa relação muda com o tempo. Ela recebeu em 2019 o Prêmio L’Oréal-Unesco-ABC Para Mulheres na Ciência e foi membro afiliada da Academia Brasileira de Ciências.

Ciência que serve

Rankings não contam toda a história de uma universidade, e a própria lista tem critérios técnicos que podem ser discutidos. Mas, quando um trabalho é citado por outros pesquisadores, isso costuma significar que ele virou base para novas descobertas. Água mais limpa, remédios contra doenças que atingem milhões de brasileiros e o cuidado com a natureza são frutos que alcançam muita gente que nunca vai ler um artigo científico.

Há algo bonito na paciência de quem passa anos investigando uma pergunta. A Bíblia fala dessa busca com respeito: “A glória de Deus é encobrir as coisas; mas a glória dos reis é esquadrinhá-las” (Provérbios 25:2). Quando a investigação é feita com honestidade e colocada a serviço do próximo, ela também pode ser uma forma de agradecer ao Criador pela inteligência que Ele nos deu.

Com informações de Alagoas Notícia Boa e Cadaminuto.

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