Cristãos da Síria são cerca de 200 mil, contra 1,5 milhão antes da guerra, diz ICC
Levantamento da International Christian Concern mostra como guerra, extremismo e crise econômica esvaziaram comunidades cristãs que existem no país desde o tempo dos apóstolos

A população cristã da Síria caiu de cerca de 1,5 milhão de pessoas, antes da guerra civil iniciada em 2011, para algo em torno de 200 mil, segundo dados reunidos pela organização International Christian Concern (ICC), que acompanha a perseguição religiosa no mundo. O retrato faz parte de uma série publicada pela entidade em 2 de outubro sobre o desaparecimento das comunidades cristãs no Oriente Médio. A própria ICC ressalta que os números variam, porque a guerra e os deslocamentos em massa dificultam qualquer contagem precisa.
A Síria tem lugar especial na história cristã. Foi a caminho de Damasco que Paulo se converteu, segundo o livro de Atos, e no país convivem há séculos igrejas de várias tradições, incluindo comunidades evangélicas. Em Maalula, moradores ainda preservam formas do aramaico, a língua associada a Jesus.
De acordo com a ICC, cerca de 200 mil cristãos deixaram Aleppo desde o início do conflito. No vale do rio Khabur, no nordeste do país, onde o Estado Islâmico atacou vilarejos assírios em 2015, a população cristã caiu de aproximadamente 15 mil pessoas para poucas centenas. A organização afirma que o extremismo não explica tudo: falta de energia, desemprego, alta nos preços e casas destruídas também empurraram famílias para fora. Muitas fugiram primeiro para outra cidade síria e, sem conseguir recomeçar, acabaram emigrando.
A queda do governo de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, abriu uma nova fase de incerteza. O grupo Hay’at Tahrir al-Sham, que assumiu o poder, prometeu proteger as minorias, mas semanas depois uma árvore de Natal foi queimada na cidade de maioria cristã de Al-Suqaylabiyah, o que levou centenas de pessoas às ruas. Em 22 de junho de 2025, um ataque com explosivos durante o culto na Igreja Ortodoxa Grega de Mar Elias, em Damasco, matou pelo menos 22 pessoas.
Apesar de tudo, as igrejas continuam reunidas em Damasco, Aleppo, Maalula e em pequenos vilarejos do nordeste, e seguem distribuindo alimentos e ajuda às famílias mais pobres. Para a ICC, o futuro do cristianismo no país depende de os cristãos poderem permanecer com segurança, trabalho e liberdade religiosa.
Oremos pelos irmãos sírios que decidiram ficar e pelas igrejas que cuidam de quem perdeu quase tudo.
Com informações de International Christian Concern.



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