Mundo05/10/2026

Evangélicos cobram de Moçambique, na ONU, proteção a deslocados e liberdade religiosa

Aliança Evangélica Mundial, Conselho Mundial de Igrejas e evangélicos moçambicanos falaram em Genebra sobre a crise no norte do país

Evangélicos cobram de Moçambique, na ONU, proteção a deslocados e liberdade religiosa

A Aliança Evangélica Mundial (WEA), o Conselho Mundial de Igrejas e a Associação Evangélica de Moçambique pediram ao governo moçambicano que cumpra os compromissos de proteger civis, atender os deslocados e fortalecer a liberdade religiosa. O apelo foi feito em 25 de setembro, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, durante a adoção do resultado da Revisão Periódica Universal de Moçambique, o processo em que cada país presta contas da sua situação de direitos humanos. A declaração conjunta foi lida por Janet Epp Buckingham, segundo o Christian Daily International.

As organizações reconheceram compromissos assumidos pelo governo, como medidas contra o extremismo violento, reforço da ajuda humanitária e combate à violência sexual ligada ao conflito. Também elogiaram a retirada de um projeto de lei sobre liberdade religiosa e o esforço para alinhar as regras sobre comunidades religiosas ao Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e à Constituição moçambicana. Pediram, porém, que tudo seja aplicado de forma transparente, ouvindo as comunidades atingidas e as organizações religiosas.

Moçambique, país de língua portuguesa no sudeste da África, enfrenta desde 2017 uma insurgência armada no norte, com centro na província de Cabo Delgado. Segundo o UNICEF, cerca de 412 mil pessoas continuavam deslocadas em 20 distritos da região. O plano de resposta humanitária de 2026 busca 348 milhões de dólares para Cabo Delgado, Nampula e Niassa, mas o financiamento está bem abaixo do necessário. Até o fim de julho, as organizações humanitárias tinham alcançado cerca de 652 mil pessoas.

Um relatório enviado antes ao Conselho pela WEA, pela Portas Abertas e pela Associação Evangélica de Moçambique já registrava violência de grupos armados islâmicos contra cristãos, além de violência de gênero e dos efeitos humanitários do conflito. Na declaração, as entidades destacaram o papel das igrejas e de organizações de fé no atendimento imparcial às famílias deslocadas.

Na mesma sessão do Conselho, que vai até 7 de outubro, a WEA já havia pedido, em 8 de setembro, um cessar-fogo imediato no Sudão e mais ajuda humanitária para o país.

Ore pelos cristãos e por todas as famílias deslocadas no norte de Moçambique, e pelas igrejas que servem essas comunidades.

Com informações de Christian Daily International.

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