Mundo03/10/2026

Gana reforça proibição de pregar dentro de ônibus em movimento

Regra de trânsito aprovada em maio prevê multa e até oito meses de prisão; Nigéria passou por debate parecido e governos dizem que pregação em geral segue livre

O governo de Gana iniciou uma campanha nacional para explicar as novas regras de trânsito do país, que proíbem pregar e vender produtos dentro de ônibus e outros veículos comerciais em movimento. As Regulamentações de Trânsito de 2026, aprovadas pelo Parlamento ganês em maio, preveem multa, prisão de até oito meses ou as duas penas para quem for condenado. A informação é do Christian Daily International.

A restrição não é nova. Segundo a reportagem, as regras de trânsito de 2012 já proibiam pregação e comércio ambulante em veículos públicos em movimento, tratando essas atividades como perturbação. A diferença é que agora a norma faz parte de um pacote mais amplo de segurança viária, com penas mais duras, fiscalização eletrônica, sistema de pontos na carteira dos motoristas e limite menor de álcool no sangue. A campanha de esclarecimento começou em 10 de setembro e deve alcançar as 16 regiões do país.

Em Gana, assim como em boa parte da África Ocidental, é comum que pregadores entrem em ônibus e micro-ônibus para anunciar o Evangelho aos passageiros durante a viagem. Por isso a regra chamou atenção entre os cristãos. A reportagem destaca, porém, que a norma não proíbe a pregação de rua nem a pregação nas igrejas.

Na vizinha Nigéria, o tema também gerou discussão neste ano. Em julho, o Senado nigeriano aprovou uma alteração na lei da Comissão Federal de Segurança Rodoviária que lista pregação e comércio dentro de veículos comerciais entre as atividades proibidas. Diante das dúvidas sobre uma possível restrição ao evangelismo, o Senado esclareceu que a proibição já existia desde 2007 e 2012, e que a mudança apenas reorganizou a lista de infrações. “É sobre a segurança dos passageiros e dos demais usuários das vias”, afirmou o Senado em nota.

Os dois países têm grandes populações cristãs e forte tradição de evangelismo público. Em ambos os casos, as autoridades apresentam as regras como medidas de trânsito, com o argumento de que atividades dentro de veículos em movimento podem distrair os motoristas, e não como limites à fé cristã.

Com informações de Christian Daily International.

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