Boas notícias22/10/2026

Ilha de Samoa volta a florescer um ano depois da retirada de ratos e porcos invasores

Em Nu'utele, governo, comunidade e conservacionistas viram tartarugas voltarem a desovar, aves fazerem ninhos e mudas nativas cobrirem o chão da floresta

Ilha de Samoa volta a florescer um ano depois da retirada de ratos e porcos invasores
Foto: credit, Cozette Romero, Island Conservation © / Good News Network

Um ano depois de livrar a pequena ilha de Nu’utele, em Samoa, no Pacífico Sul, de ratos e porcos selvagens que não pertenciam ao lugar, os responsáveis pelo trabalho começaram a colher o que chamam de sinais animadores de recuperação. Tartarugas marinhas voltaram a desovar nas praias depois de décadas de ausência, aves raras estão fazendo ninhos, insetos reapareceram e mudas de árvores nativas brotam onde antes nada crescia. O resultado foi divulgado em 20 de outubro pela organização Island Conservation, uma das parceiras do projeto, e repercutido em 22 de outubro pelo site americano Good News Network.

O caso chama atenção porque mostra, em pouco tempo, como uma floresta inteira reage quando a pressão de animais trazidos de fora é retirada. E porque não foi obra de um grupo isolado: governo, organizações regionais, donos das terras e moradores trabalharam juntos.

Um trabalho de mais de 130 dias no campo

Nu’utele é considerada uma Área-Chave para a Biodiversidade e fica dentro de uma área marinha protegida. Segundo o comunicado, a ilha guarda a floresta tropical mais bem preservada de Samoa. Mesmo assim, ratos e porcos ferais vinham causando estragos. Os porcos reviram o solo da mata e comem as plantas jovens; os ratos atacam ovos, filhotes e sementes. Com isso, a floresta perdia a capacidade de se renovar.

A restauração foi liderada pelo Ministério de Recursos Naturais e Meio Ambiente de Samoa, com apoio técnico da Island Conservation e do serviço regional de apoio ao manejo de espécies invasoras do Pacífico, conhecido pela sigla PRISMSS e coordenado pelo Secretariado do Programa Regional do Meio Ambiente do Pacífico (SPREP). Proprietários de terras e moradores da comunidade de Aleipata participaram como parceiros. De acordo com o Good News Network, os ratos foram retirados com iscas e armadilhas, e os porcos, por equipes de caça.

As equipes trabalharam de março de 2025 a maio de 2026. Foram 12 expedições e mais de 130 dias em campo, entre a execução e a fase de confirmação de que os animais invasores tinham mesmo saído da ilha.

Ninhos, caranguejos e roças que voltaram a produzir

Os primeiros sinais vieram rápido. Cerca de um mês depois da retirada dos invasores, os pesquisadores encontraram vários ninhos ativos, com ovos, de uma pomba-do-chão chamada em inglês de shy ground dove, uma ave ameaçada que tem em Nu’utele a maior população que restou em Samoa. Os ninhos estavam em samambaias do tipo ninho-de-passarinho, que crescem presas às árvores.

Também foi registrado um ninho do estorninho-de-samoa, e os técnicos observaram atividade de reprodução de duas aves que só existem no país, o papa-moscas e o assobiador de Samoa. Uma espécie de caranguejo terrestre que nunca tinha sido registrada na ilha apareceu nos levantamentos.

A floresta é o retrato mais visível da mudança. “Em muitas áreas, as mudas nativas estão forrando o chão da floresta”, contou o gerente do projeto pela Island Conservation, Paul Jacques. Segundo ele, há mudas na altura do joelho em lugares onde a regeneração estava travada. O comunicado não traz contagens de plantas nem de animais, o que deve vir com o monitoramento dos próximos anos.

A recuperação chegou também à mesa de quem vive da terra. De acordo com o comunicado, uma família do lugar agora cultiva banana, abacaxi, mamão e taro, um tubérculo muito consumido no Pacífico, parecido com o nosso inhame. Antes, as roças não vingavam por causa dos animais.

O próximo passo e a lição para outras ilhas

A floresta recuperada prepara o terreno para outro objetivo: levar para Nu’utele o mao, uma ave florestal nativa de Samoa que está ameaçada. Formar uma nova população dessa espécie faz parte do projeto da Island Conservation para restaurar ilhas do Pacífico entre 2026 e 2032. A coleta de dados para essa etapa teve apoio da Iniciativa Internacional do Clima, da Alemanha. O programa regional contra predadores invasores recebe recursos da Nova Zelândia e do Reino Unido, segundo o comunicado.

Para o consultor de espécies invasoras do SPREP, David Moverley, a experiência pode servir de modelo. “As lições aprendidas nesta ilha podem orientar esforços de restauração em todo o Pacífico e além”, afirmou. Em Nu’utele, a lição mais simples talvez seja esta: o trabalho só deu certo porque juntou técnicos, autoridades e as famílias que conhecem a ilha de perto.

Há algo de muito antigo nessa história. Logo no começo da Bíblia, o ser humano recebe uma tarefa ao ser colocado no jardim: “Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Édem para o lavrar e guardar” (Gênesis 2:15). Ver uma comunidade inteira cuidando de um pedaço da criação, e a vida respondendo tão depressa, é um lembrete de que guardar o que Deus fez continua sendo um bom trabalho para as nossas mãos.

Com informações de Good News Network e Island Conservation.

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