Pastor chinês Ezra Jin relata nove meses de prisão e pede apoio jurídico a cristãos
Fundador da Igreja Sião, de Pequim, foi solto em julho e contou que perdeu quatro advogados enquanto esteve preso por liderar uma igreja não registrada

O pastor Ezra Jin, fundador da Igreja Sião, de Pequim, descreveu em entrevista à Christian Daily International as condições que enfrentou na prisão na China, onde ficou detido de outubro de 2025 até julho deste ano. Ele foi preso por liderar uma igreja não registrada no governo e, segundo o próprio pastor, só foi libertado depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levou o caso ao presidente chinês, Xi Jinping. No dia 3 de julho, em menos de 24 horas, saiu da cadeia e foi levado para os Estados Unidos.
Jin contou que dividia a cela com cerca de 30 pessoas, num espaço tão apertado que os presos dormiam encostados uns nos outros. Passava horas sentado num banco duro, numa rotina inteiramente controlada. Para ele, porém, o mais difícil foi o isolamento: nenhuma carta que escrevia saía da prisão, e nenhuma de fora chegava até ele. O único contato com o mundo exterior era por meio de advogados, e mesmo isso foi sendo cortado. O primeiro defensor teve a licença cassada e o escritório fechado; o segundo foi impedido pelos superiores de assumir a causa; o terceiro teve o escritório suspenso; e o quarto acabou proibido de visitá-lo. O pastor fez greve de fome e, dois dias depois, voltou a ver o advogado.
A acusação inicial foi de uso ilegal de informações na internet, o que ele nega. Depois, as autoridades passaram a acusá-lo de fraude e de atividade comercial ilegal, por causa das ofertas recolhidas nos cultos. Jin lembrou que o artigo 36 da Constituição chinesa garante liberdade religiosa. Segundo ele, a Igreja Sião, fundada em 2007, chegou a reunir cerca de 100 igrejas em 40 cidades, com forte crescimento on-line durante a pandemia, e 28 de seus principais líderes foram presos em 11 cidades na mesma ofensiva de outubro de 2025.
Na China, as igrejas protestantes só funcionam legalmente se ligadas ao Movimento Patriótico das Três Autonomias, controlado pelo Estado. As que recusam esse controle, conhecidas como igrejas domésticas, são alvo frequente de repressão. Jin, que passou dez anos numa igreja oficial antes de estudar no Seminário Fuller, nos Estados Unidos, disse que espera que a comunidade internacional apoie os advogados que defendem cristãos processados. Ele atribui a libertação às orações de muitos irmãos e afirmou não se arrepender de 35 anos de ministério: “Nunca me arrependi, e estou sempre muito alegre”.
Oremos pelos líderes da Igreja Sião que continuam presos, por suas famílias e pelos advogados que arriscam a carreira para defender cristãos na China.
Com informações de Christian Daily International.



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