Regras para igrejas em Ruanda ainda afetam o culto dois anos após fechamentos em massa
Relatório mostra que congregações pequenas foram as mais atingidas pelas exigências do governo; parte delas passou a se reunir pela internet
Dois anos depois da grande campanha de fiscalização que fechou milhares de locais de culto em Ruanda, as regras impostas pelo governo às igrejas continuam mudando a forma como os cristãos se reúnem no país africano. A avaliação está em um relatório publicado em 26 de setembro pela Connexion, do Worldwide Evangelical Seminary, segundo a Christian Daily International.
As medidas se apoiam na Lei 72/2018, que regula as organizações religiosas. De acordo com o relatório, no fim de julho de 2024 equipes do Conselho de Governança de Ruanda e autoridades locais inspecionaram mais de 13 mil locais de culto em cerca de duas semanas. Quem não cumpria as exigências era fechado. Pastores e representantes legais passaram a precisar de diploma universitário em teologia, ou outro curso superior somado a pelo menos 1.200 horas de estudo teológico certificado. Os templos também tinham de atender a normas de isolamento acústico, para-raios, prevenção de incêndio, saneamento e estacionamento.
Segundo o relatório, as igrejas grandes, com terreno próprio e estrutura administrativa, se adaptaram com mais facilidade. Já congregações pentecostais e independentes menores, que muitas vezes se reúnem em salas alugadas, tendas ou casas e são lideradas por pastores leigos, foram as mais prejudicadas. Mesmo denominações tradicionais sentiram o impacto: conforme a African Pastors Fellowship, apenas 23 das 239 igrejas anglicanas da Diocese de Kigeme continuaram abertas.
O governo afirma que as regras protegem os fiéis e trazem mais responsabilidade às organizações religiosas. Em novembro de 2025, a diretora do Conselho de Governança, Doris Uwicyeza Picard, informou ao Parlamento que 9.171 prédios de culto, entre igrejas e mesquitas, haviam sido fechados. As autoridades dizem que o fechamento de um local não significa a dissolução da igreja e que é possível pedir a reabertura, inclusive por um sistema on-line lançado em junho de 2025.
Um caminho apontado pelo relatório é a parceria do governo com a Re-Forma, organização que colabora com a Aliança Evangélica Mundial na formação de líderes africanos: os certificados dela passaram a valer como prova de preparo teológico. Enquanto isso, muitas igrejas migraram para o Zoom, o YouTube e as redes sociais. Um pastor ouvido pela imprensa ruandesa contou que seus encontros presenciais reuniam cerca de 200 pessoas, enquanto os virtuais às vezes chegam a 70.
Com informações de Christian Daily International.



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