Seminário evangélico oficial da China abre semestre com treino militar e aulas do partido
Em Hangzhou, estudantes de teologia fizeram quatro dias de exercícios militares e ouviram orientações sobre a "sinização" do cristianismo, segundo a ChinaAid

O Seminário Teológico de Zhejiang, em Hangzhou, no leste da China, abriu o semestre letivo com quatro dias de treinamento militar e uma série de orientações políticas para os novos alunos. A informação foi divulgada pela organização cristã de direitos humanos ChinaAid, com base no relatório oficial da própria instituição, e publicada pela ASSIST News Service em 1º de outubro.
Entre 9 e 12 de setembro, os estudantes participaram de exercícios de formação, artes marciais, treino com adaga, tiro ao alvo e inspeção de dormitórios. Segundo o seminário, o objetivo era fortalecer a consciência de segurança nacional, a disciplina e o trabalho em equipe. A ChinaAid observa que esse tipo de atividade já faz parte da rotina de recepção dos calouros da escola, com registros em anos como 2014, 2018 e 2025.
Na cerimônia de abertura, em 14 de setembro, o presidente do seminário, pastor Pan Xingwang, repassou diretrizes de reuniões nacionais e provinciais sobre educação religiosa. Ele afirmou que a instituição vai avançar na chamada “sinização” do ensino teológico, política do governo chinês que busca adaptar as religiões à cultura nacional e às prioridades do Partido Comunista. Também foram anunciados programas de formação política, como os “Três Amores”, que exaltam o amor ao país, ao partido e ao socialismo.
O seminário pertence ao sistema protestante reconhecido pelo Estado, supervisionado pelo Movimento Patriótico das Três Autonomias e pelo Conselho Cristão da China. De acordo com a ChinaAid, outras escolas teológicas oficiais, como as de Nanjing, Fujian e Guangdong, adotaram práticas semelhantes. Fora desse sistema, milhões de cristãos se reúnem em igrejas domésticas não registradas, que vêm sofrendo pressão crescente das autoridades.
A própria reportagem pondera que muitos alunos dos seminários oficiais têm fé sincera e desejam servir no ministério. Com poucas alternativas de formação teológica no país, eles podem encarar o treino militar e as aulas políticas como exigências formais para ter acesso a oportunidades reconhecidas de evangelismo. Os relatórios oficiais, porém, não permitem saber o que cada estudante pensa.
Oremos pelos futuros pastores da China, para que sejam firmes na Palavra, e pelas igrejas do país, registradas ou não, que vivem sob crescente controle do Estado.
Com informações de ASSIST News Service.



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