Aos 90 anos, ele completa a Maratona de Nova York ao lado do filho e do neto
Marty Granoff não corria a prova havia 43 anos; na camiseta, o recado: “Se você consegue ler isto, está perdendo para um homem de 90 anos”

Quando a noite já tinha caído sobre o Central Park, em Nova York, no domingo, 1º de novembro de 2026, três homens de camiseta branca cruzaram a linha de chegada da Maratona de Nova York de braços dados. No meio, Marty Granoff, de 90 anos. À esquerda, o filho, Michael, de 57. À direita, o neto, Avi, de 22. O tempo oficial foi de 8 horas e 26 minutos, segundo a emissora NY1, e a medalha foi entregue por Rob Simmelkjaer, diretor-executivo da New York Road Runners, que organiza a prova.
Na camiseta de Marty, uma frase que correu as redes sociais tanto quanto ele correu os 42 quilômetros: “Se você consegue ler isto, está perdendo para um homem de 90 anos”.
Vídeo · YouTubeQuarenta e três anos depois
Marty já tinha completado cinco edições da Maratona de Nova York, todas entre o fim dos anos 1970 e o início dos anos 1980. A última foi em 1983, segundo a NY1. Depois disso, o trabalho tomou conta e as maratonas ficaram para trás. Ele queria voltar aos 80 anos, mas a saúde não permitiu, contou à emissora NewsNation. A ideia ressurgiu numa caminhada longa na Flórida: ele se sentiu bem, foi aumentando a distância e se perguntou se não seria bonito fazer uma maratona aos 90.
A preparação durou 14 meses, com o treinador Sean Fortune, que nunca tinha treinado alguém com mais de 90 anos. De acordo com a NY1, ele caminhou pelo menos 11 quilômetros por dia, sete dias por semana, desde novembro de 2025, somando mais de 4 mil quilômetros; o treino mais longo chegou a 37 quilômetros. A maior dificuldade do treinador, segundo ele mesmo, foi convencer o aluno a descansar.
Vídeo · YouTubeMarty era um dos únicos dois corredores com mais de 90 anos entre cerca de 60 mil inscritos; desde 2014, só uma pessoa dessa idade tinha completado a prova, de acordo com a NY1. “Todo mundo me diz que sou louco. Mas nunca duvidei de que conseguiria”, disse ele ao site Jewish Insider antes da largada. “Fazer isso ao lado do meu filho e do meu neto torna tudo épico.”
Três gerações na mesma corrida
A ideia de correr juntos partiu do neto. Avi, que tinha deixado o serviço militar um mês antes, propôs que as três gerações da família fizessem a prova lado a lado, relatou Michael em um texto publicado em 2 de novembro. Michael, empresário que começou a correr aos 11 anos por causa do pai e já tinha mais de 15 edições da prova nas pernas, contou à NY1 que, 30 anos atrás, tinha desistido do sonho de correr uma maratona com o pai.

A corrida não foi fácil. Na Primeira Avenida, já passada a metade do percurso, Marty começou a sentir espasmos nas costas, algo que nunca tinha acontecido com ele. Segundo o relato do filho, o grupo parou quatro vezes em tendas médicas para massagens, e houve um momento em que Marty achou que não ia conseguir naquele dia. O neto o amparou nos trechos mais duros. Depois do quilômetro 34, ele decidiu seguir até o fim. Na chegada, brincou com a NY1 que gostaria que tivesse sido mais bonito, e resumiu: “É uma sensação maravilhosa. Simplesmente incrível”.

Por que a história viralizou
A reportagem da NY1 sobre a preparação de Marty, publicada em 28 de outubro, passou de 1 milhão de visualizações nas redes sociais, de acordo com o filho. Ele foi cercado por fãs ao retirar o número de peito e, segundo os organizadores, citados por Michael, foi o participante mais acompanhado no aplicativo de rastreamento da prova. No percurso, a torcida gritava o nome dele e levantava cartazes; centenas de corredores pararam para tirar fotos ao seu lado. A história também foi contada pela NewsNation, pelo Jewish Insider e por veículos de vários países.
O neto disse à NY1 que o avô é uma verdadeira inspiração. Marty desejou a mesma alegria a todos os que chegam aos 90 e disse que o segredo está na cabeça: ele ama viver.
A imagem de um avô cruzando a linha de chegada apoiado no filho e no neto fala de algo que a Bíblia descreve com poucas palavras: “Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais” (Provérbios 17:6). Nem todo mundo vai correr uma maratona aos 90, mas todo mundo pode cuidar de quem corre a vida ao nosso lado e agradecer por cada quilômetro que ainda dá para percorrer junto.
Com informações de NY1 e Jewish Insider.



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