Arqueólogos acham banhos rituais usados por peregrinos ao lado do Monte do Templo
Complexo do século 1 perto da Porta Tripla, em Jerusalém, tinha três grandes tanques de purificação, uma piscina com degraus e funcionou até a destruição do Templo, em 70 d.C.

Quem subia a Jerusalém para as grandes festas, há quase 2 mil anos, não entrava no Templo de qualquer jeito. Antes, era preciso passar pela purificação ritual na água. Agora, arqueólogos da Universidade Hebraica de Jerusalém revelaram um lugar onde, ao que tudo indica, multidões de peregrinos faziam exatamente isso: um grande complexo de banhos rituais, com piscina, pátio pavimentado e um sistema de água, encostado ao Monte do Templo. O achado foi anunciado pela universidade no fim de setembro e voltou a ganhar destaque na imprensa internacional em 19 de outubro.
O complexo fica no Ofel, a área logo ao sul do Monte do Templo, na Cidade Velha, perto da chamada Porta Tripla, a mais oriental das Portas de Hulda, que estavam entre as principais entradas do Templo no período do Segundo Templo. As escavações, feitas ao longo de cinco temporadas, foram dirigidas pelos professores Uzi Leibner e Orit Peleg-Barkat, do Instituto de Arqueologia da universidade.
Uma piscina com degraus nos quatro lados
No centro do conjunto há uma piscina revestida de reboco que mede cerca de 12 por 9,5 metros, com degraus descendo pelos quatro lados. A noroeste dela, um edifício de pedras lavradas tem quatro salas, três delas identificadas como grandes banhos rituais públicos, os mikvaot, como são chamados em hebraico. No total, o complexo ocupa cerca de 280 metros quadrados.
O que mais impressionou os pesquisadores foi o estado de um dos banhos. Ele se conservou até a altura total de 4,2 metros, com o teto abobadado de pedra e o poço por onde entrava a água. Segundo a imprensa israelense, é um exemplo raro, em Jerusalém, de uma construção da época do Segundo Templo preservada do chão ao teto. Canais de escoamento, que em alguns trechos passam de 2 metros de altura, levavam a água em direção ao vale do Cedrom. Pelo tamanho desses canais, os arqueólogos acreditam que o lugar movimentava grandes volumes de água e talvez fosse abastecido por uma fonte permanente, possivelmente um ramal do aqueduto que servia o Templo.
Para Leibner e Peleg-Barkat, o tamanho, o desenho e a localização indicam que o complexo atendia os peregrinos judeus que se purificavam antes de subir ao Templo. Os dois classificaram o achado como “sem precedentes”, por se tratar de uma construção monumental de pedras lavradas dedicada inteiramente à purificação, junto a uma porta do Monte do Templo.
Moedas da revolta e uma construção mais antiga
Segundo os pesquisadores, o complexo foi construído no início do século 1 d.C., no tempo do imperador romano Augusto, e continuou em uso durante o reinado de Tibério. Ele chegou ao fim no verão do ano 70, quando os romanos destruíram Jerusalém e o Templo. No chão das salas e no meio dos escombros, a equipe encontrou dezenas de moedas do período da Grande Revolta judaica contra Roma, entre elas um meio-siclo de prata do terceiro ano da revolta e uma moeda de bronze do quarto ano.
Debaixo do complexo monumental apareceu outra surpresa: uma construção pública mais antiga, também de pedras lavradas, com um grande banho ritual, datada provisoriamente do século 1 a.C. Isso mostra que aquele ponto, ao lado de uma das entradas do Templo, foi usado para a purificação por gerações.
A escavação foi feita pela Universidade Hebraica em parceria com o Instituto Armstrong de Arqueologia Bíblica, com apoio da Fundação de Ciência de Israel e do Centro Hertog, e fica dentro do Parque Nacional das Muralhas de Jerusalém.
O cenário das festas de peregrinação
O achado ajuda a imaginar a Jerusalém das grandes festas de peregrinação, como a Páscoa, o Pentecostes e a Festa dos Tabernáculos, quando a cidade recebia multidões. Os Evangelhos contam que a família de Jesus subia a Jerusalém todos os anos para a Páscoa e mostram o próprio Jesus no Templo em várias ocasiões. As reportagens lembram que o complexo existiu nessa mesma época, mas os pesquisadores não afirmam, nem seria possível afirmar, que Jesus ou os apóstolos tenham usado esses banhos. O que o achado mostra é o caminho que os peregrinos percorriam até o Templo.
Os tanques de pedra também lembram uma pergunta antiga dos Salmos, cantada por quem subia a Jerusalém: “Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração” (Salmos 24:3-4). A água lavava o corpo na entrada do Templo, mas o salmista já apontava para uma pureza mais profunda, a do coração diante de Deus.
Com informações de ColombiaOne.com e Ynetnews.



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