Chile registra quase uma nova igreja evangélica por dia, mostram dados oficiais
Foram 82 organizações religiosas registradas entre junho e agosto; evangélicos já são 16,3% dos chilenos com 15 anos ou mais, segundo o censo de 2024

O Chile registrou 82 novas organizações religiosas no Diário Oficial em apenas três meses de 2026, o que dá uma média de quase uma igreja evangélica por dia, de acordo com levantamento do site chileno Ex-Ante divulgado pelo Evangelical Focus. Foram 36 registros em junho, 28 em julho e 18 em agosto, espalhados por 13 regiões, com concentração no centro e no sul do país. Outras 16 entidades alteraram seus estatutos no mesmo período.
Segundo o Ministério da Justiça chileno, o país tem hoje 6.160 organizações religiosas com personalidade jurídica. Todas foram registradas depois de 1999, ano da Lei de Cultos, que passou a reconhecer juridicamente as denominações não católicas.
O crescimento aparece também no censo. Em 2024, 2.466.607 chilenos com 15 anos ou mais se declararam “evangélicos” ou “protestantes”, o equivalente a 16,3% da população nessa faixa. Em 1992 eram 13%, e em 2002, 15%. No mesmo intervalo, a proporção de católicos caiu de 70% para 54%. A presença evangélica é mais forte no sul: 33% em Biobío, 27% em La Araucanía, 25% em Los Ríos e 24% em Ñuble.
A reportagem atribui o ritmo de abertura de igrejas ao modo como as comunidades evangélicas se organizam: em geral são congregações autônomas, que se reúnem em alianças e conselhos nacionais sem depender de uma autoridade única. Isso facilita o surgimento de igrejas pequenas, próximas dos vizinhos, que muitas vezes são um dos poucos espaços de convivência e apoio nos bairros.
A visibilidade pública acompanha os números. Em 2026, o governo instalou uma capela evangélica no Palácio de La Moneda, sede da Presidência, com cultos às terças e quintas ao meio-dia. O Ministério da Habitação lançou um programa de 22 Centros Comunitários de Culto, abertos a diferentes denominações: cada um terá 120 metros quadrados, dos quais no máximo 30 para cultos e o restante para oficinas, reuniões e atividades sociais. O ministro Iván Poduje justificou a iniciativa citando o trabalho social das igrejas locais nos bairros mais vulneráveis.
Com informações de Evangelical Focus.



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