Boas notícias23/10/2026

Correr para ajudar o vizinho faz bem à mente, aponta estudo britânico

Pesquisa da London School of Economics com 2.856 pessoas liga o GoodGym, que une exercício e voluntariado, a menos solidão e mais satisfação com a vida

Correr para ajudar o vizinho faz bem à mente, aponta estudo britânico
Foto: Image credit: RDNE Stock project on Pexels / London School of Economics

Imagine trocar a esteira da academia por uma corrida até a casa de um idoso que mora sozinho, para cortar a grama do quintal dele ou simplesmente tomar um café e conversar. É isso que fazem os participantes do GoodGym, uma organização sem fins lucrativos do Reino Unido. Agora, um estudo da London School of Economics (LSE) indica que esse jeito de se exercitar faz bem não só ao corpo e a quem recebe a ajuda, mas também à saúde mental de quem ajuda.

O trabalho, intitulado “Getting fit by doing good: Exercise, volunteering, and mental health at scale” (algo como “Entrar em forma fazendo o bem”), foi publicado na revista científica Social Science & Medicine e divulgado pela universidade em 21 de setembro. Os autores são os pesquisadores Maria Cotofan, Christian Krekel e Ekaterina Oparina, que analisaram respostas de questionário e dados administrativos de 2.856 pessoas.

O que a pesquisa encontrou

Segundo a LSE, mesmo na estimativa mais cautelosa da equipe, participar do GoodGym está associado a uma melhora de 0,23 desvio padrão na saúde mental. Na satisfação com a vida, a pontuação dos participantes ficou, em média, 0,43 ponto acima. Entre quem frequenta o grupo há mais de seis meses, a diferença continuou aparecendo: 0,31 ponto a mais.

Para dar uma ideia do tamanho desse efeito, os pesquisadores fizeram comparações com situações conhecidas da vida. Os 0,43 ponto equivalem a cerca de 63% da diferença de satisfação com a vida que separa uma pessoa empregada de uma desempregada, e a cerca de 73% da diferença entre quem vive com um companheiro e quem está sozinho. O estudo também registrou menos sofrimento mental e menos solidão, além de mais sensação de pertencimento, de conexão com outras pessoas e de confiança.

Christian Krekel, que é professor da LSE, resumiu a conclusão de forma direta: “O GoodGym é uma ideia realmente boa”. Para ele, o ganho não fica só com quem se exercita, mas alcança a comunidade local como um todo. Não é a primeira vez que a equipe chega a resultados assim. Em uma avaliação anterior, com cerca de 3.600 pessoas, o grupo de Krekel já tinha observado melhora em seis aspectos do bem-estar mental, como a redução da solidão, de acordo com reportagem da agência Associated Press publicada em fevereiro.

Como funciona o GoodGym

A ideia nasceu em 2007, quando o fundador, Ivo Gormley, passou a correr até a casa de um vizinho idoso para levar o jornal, segundo a Associated Press. O projeto cresceu, virou instituição de caridade registrada em 2015 e hoje, segundo a LSE, reúne mais de 25 mil membros, que já ajudaram mais de 58 mil pessoas em cerca de 383 mil tarefas.

O formato é simples. Os grupos se encontram, saem correndo, caminhando ou pedalando até um ponto da cidade e, ao chegar, põem a mão na massa. As tarefas descritas pela reportagem da AP vão de separar latas num banco de alimentos e recolher lixo nas margens do Rio Tâmisa a plantar árvores frutíferas, montar camas para pessoas em situação de rua e cuidar de uma horta comunitária no alto de um estacionamento. Há ainda as visitas a idosos isolados, com ajuda para mover móveis ou cortar a grama. Durante a pandemia de covid-19, os voluntários levaram remédios e comida a quem não podia sair de casa.

Não existe mensalidade nem aparelhos. A contribuição mensal é opcional e ninguém é obrigado a ir a todos os encontros. Em fevereiro, a organização estava presente em 67 localidades da Inglaterra e do País de Gales e tinha planos de chegar à Irlanda do Norte e à Escócia. Os próprios pesquisadores, porém, lembram que ainda é preciso mais estudo antes que os resultados sirvam de base para políticas públicas.

Uma ideia fácil de imitar

O que chama a atenção na experiência britânica é que ela junta duas coisas que muita gente já sabe que fazem bem, cuidar do corpo e cuidar de alguém, e mostra que, somadas, elas parecem render ainda mais. Grupos de corrida e de caminhada existem em muitas cidades brasileiras, assim como igrejas com equipes de visitação, de limpeza de praças ou de apoio a vizinhos idosos. Unir os dois mundos não exige grandes recursos: basta um horário marcado, um trajeto e alguém do outro lado da porta precisando de uma mão.

Para quem tem fé, o resultado não surpreende tanto. A Bíblia mostra, do começo ao fim, que fomos feitos para viver em comunhão e para servir. Quem ajuda o próximo descobre que também é ajudado, e o cansaço de uma corrida vira alegria quando termina num quintal limpo e num sorriso agradecido. Como escreveu o apóstolo Paulo: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (Gálatas 6:9).

Com informações de London School of Economics e Associated Press (via News Tribune).

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