Mais de 500 milhões de cristãos enfrentam barreiras para ter uma Bíblia, aponta relatório
Lista de acesso à Bíblia 2026 avaliou 106 países; Afeganistão lidera o ranking de restrições, e 125 milhões de cristãos querem uma Bíblia e não têm

Mais de 500 milhões de cristãos no mundo encontram algum tipo de obstáculo para conseguir ou usar uma Bíblia. O dado está na Bible Access List 2026, levantamento da Bible Access Initiative, parceria entre agências bíblicas e ministérios, que analisou a situação em 106 países. Para mais de 250 milhões dessas pessoas, as restrições são consideradas muito difíceis ou severas, a ponto de ter as Escrituras em casa poder render prisão ou morte.
O Afeganistão aparece no topo da lista de restrições, seguido por Iêmen, Somália, Coreia do Norte e Eritreia. Mauritânia, Turcomenistão, Líbia, Sudão e Irã completam os dez primeiros. Sobre a Coreia do Norte, o relatório afirma que muitos cristãos dependem de versículos decorados, porque guardar um exemplar físico é perigoso demais. O estudo mostra que as barreiras atingem toda a cadeia: a impressão e a distribuição são proibidas ou muito restritas em 39 países, a importação em 38, o armazenamento em 37 e a posse pessoal em 34.
A Bíblia digital também não resolve tudo. Segundo o levantamento, cerca de 277 milhões de cristãos em 48 países vivem em ambiente online inseguro, vigiado ou bloqueado. Na China, sites cristãos estrangeiros são bloqueados e aplicativos da Bíblia foram retirados das lojas; na Eritreia, celulares são revistados em barreiras. O relatório aponta piora desde 2025 em Mali, Burkina Faso e Síria, por causa do avanço de grupos extremistas, e na Venezuela, que subiu 17 posições no ranking por causa de novas restrições à importação e à impressão. Uganda e Moçambique, ao contrário, melhoraram com a redução da violência.
Há ainda quem tenha liberdade para ter uma Bíblia, mas não consegue por pobreza, analfabetismo, distância ou falta de internet. O estudo estima que mais de 125 milhões de cristãos em 81 países desejam uma Bíblia e não têm. As maiores carências estão na República Democrática do Congo, na Etiópia, na Nigéria e na Índia, cada um com mais de 10 milhões de pessoas nessa situação. No Congo, menos de um em cada três cristãos possui um exemplar, mesmo sem nenhuma proibição legal.
Os autores explicam que o número é maior que o do ano passado (mais de 100 milhões) principalmente porque mais países foram incluídos e a coleta de dados melhorou. Eles calculam que 54 milhões de Bíblias seriam necessárias em 18 países onde quase não há perseguição e o principal obstáculo é o custo, o que indica, segundo o relatório, onde a ação é possível de imediato.
Com informações de Christian Daily International.



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