Pastores sudaneses recebem ameaças de morte em campo de refugiados no Sudão do Sul
Líderes do Conselho Cristão de Darfur vivem sob tensão desde um ataque em maio; em setembro, um homem foi preso vigiando a casa de um deles
Dois pastores sudaneses que vivem no assentamento de refugiados de Gorom, a 26 quilômetros de Juba, capital do Sudão do Sul, estão recebendo ameaças de morte de extremistas muçulmanos, segundo a Morning Star News. Os pastores Drij Haruon Khamis e Adel Idris, ambos originários da região de Darfur, no Sudão, são líderes do Conselho Cristão de Darfur e já vinham sendo ameaçados antes de um ataque ocorrido em maio deste ano, quando Khamis foi ferido na perna no terreno da igreja, dentro do campo.
O medo aumentou na noite de 25 de setembro. De acordo com a agência, um homem permaneceu cerca de meia hora diante da casa do pastor Khamis, por volta das 21h, falando ao celular como se estivesse vigiando o local. A polícia foi chamada, prendeu o suspeito e, ao interrogá-lo, concluiu que ele de fato representava uma ameaça. Dois dias depois, os pastores comunicaram o caso ao Conselho Cristão de Darfur e à igreja e pediram oração. “Não sabemos o que os próximos dias reservam para nós”, disse Khamis à Morning Star News, acrescentando que confia que Deus está no controle.
A situação preocupa os cristãos de Darfur que vivem no assentamento, muitos deles ex-muçulmanos. Segundo as fontes ouvidas pela agência, os extremistas veem o trabalho de evangelização da igreja como uma ameaça ao islã no campo. Embora a Constituição do Sudão do Sul garanta a liberdade religiosa, inclusive o direito de mudar de fé, a pressão da comunidade e da família continua forte entre refugiados que vêm de lugares mais restritivos. No Sudão, a apostasia foi punida com a morte até 2020, quando a lei foi revogada.
O campo de Gorom foi criado em 2010, com apoio da ONU, para cerca de 2.500 refugiados etíopes. Com as crises na região, passou de 22 mil moradores em abril de 2025 e hoje abriga mais de cinco vezes a sua capacidade, com falta de comida, água e atendimento de saúde. Os líderes cristãos do local pedem mais proteção aos convertidos e buscam formas de garantir o básico às famílias deslocadas.
O Sudão ocupa o 4º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026, da Portas Abertas, que reúne os 50 países onde é mais difícil ser cristão. Os cristãos são cerca de 2,3% da população sudanesa.
Ore pela segurança dos pastores Khamis e Idris, de suas famílias e dos cristãos refugiados em Gorom, e para que as autoridades garantam a proteção de quem vive no campo.
Com informações de Morning Star News.



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