Igreja16/10/2026

Igrejas da Suíça lançam juntas dez princípios éticos para o uso de inteligência artificial

Documento assinado por evangélicos, protestantes e católicos proíbe colocar em sistemas de IA o que é dito sob sigilo pastoral

Igrejas da Suíça lançam juntas dez princípios éticos para o uso de inteligência artificial
Foto: reprodução / Christian Daily International

Cinco organizações cristãs da Suíça, entre elas a Aliança Evangélica Suíça e a associação de igrejas livres Freikirchen.ch, publicaram em conjunto dez diretrizes éticas sobre o uso de inteligência artificial. O documento, chamado “Humanidade na era digital”, defende que a dignidade humana, e não a capacidade técnica, deve orientar o uso da tecnologia nas igrejas e na sociedade, segundo o Christian Daily International. Também assinam a Igreja Protestante da Suíça, a Conferência dos Bispos Suíços e a Igreja Católica Cristã do país.

As diretrizes são voltadas principalmente a líderes de igrejas, congregações e organizações cristãs. O texto parte da visão do ser humano como criatura amada e feita à imagem de Deus, cuja dignidade não depende de desempenho ou utilidade. Os autores rejeitam tanto as promessas de salvação pela tecnologia quanto as previsões de catástrofe, e afirmam que a esperança cristã está na fidelidade de Deus, não no progresso humano.

A parte prática traz regras claras. Informações protegidas pelo sigilo pastoral não devem ser inseridas em nenhum sistema de IA. Textos produzidos com ajuda da tecnologia em pregações, aulas, comunicação ou captação de recursos precisam ter citações e dados conferidos. O uso de IA no aconselhamento e no cuidado pastoral deve ser informado às pessoas, e sempre deve haver alguém identificado como responsável. Sobre sermões, o documento alerta que mensagens feitas pela máquina, sem que o pregador as tenha trabalhado e meditado, fazem a comunicação da igreja perder profundidade.

O texto não pede que as igrejas evitem a tecnologia. Cita como benefícios a tradução simultânea, a transcrição automática e a leitura de textos em voz alta, que ajudam pessoas com deficiência ou barreiras de idioma a participar da vida da igreja. Também alerta para plataformas que imitam proximidade emocional e podem substituir relacionamentos reais, especialmente entre crianças e adolescentes.

“A IA já é usada há tempos nas nossas igrejas, em traduções, administração e comunicação”, disse Peter Schneeberger, presidente da Freikirchen.ch. Segundo ele, as diretrizes ajudam a fazer as perguntas certas e a enxergar oportunidades e perigos. Os autores consideram o documento provisório e sujeito a revisão. Ele será debatido em uma conferência em Zurique, em 20 de outubro.

Com informações de Christian Daily International.

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