Perseguição a cristãos piorou em 10 de 18 países e nenhum melhorou, aponta relatório
Levantamento da Ajuda à Igreja que Sofre estima 220 milhões de cristãos diretamente expostos à perseguição e destaca Nigéria, Moçambique, Burkina Faso, Mali e Sudão

A situação dos cristãos piorou em 10 dos 18 países analisados entre agosto de 2024 e junho de 2026, e nenhum deles registrou melhora, segundo o relatório Perseguidos e Esquecidos? 2024-2026, lançado em 27 de outubro pela Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), organização católica que apoia cristãos perseguidos. A entidade estima que 220 milhões de cristãos estão diretamente expostos à perseguição e que outros 413 milhões vivem em países com violações graves da liberdade religiosa.
O relatório aponta a África subsaariana como o principal foco da violência extremista contra cristãos. Na Nigéria, os ataques a povoados de maioria cristã no Cinturão Central contribuíram para mais de 3,5 milhões de deslocados internos, conforme a ACN. O documento registra o sequestro de 253 crianças e 12 funcionários de uma escola católica, em novembro de 2025, e de 177 fiéis em três igrejas no estado de Kaduna, em janeiro de 2026. Solomon Ako, de 33 anos, contou à ACN que foi espancado e acorrentado por sequestradores que exigiam a conversão dos reféns. “Toda noite, quando nossos sequestradores dormiam, nós orávamos. Orávamos sabendo que não estávamos sozinhos”, disse.

Em Moçambique, país de língua portuguesa, a ACN contabiliza mais de 1.000 cristãos mortos na província de Cabo Delgado desde o início da insurgência de militantes ligados ao Estado Islâmico, em outubro de 2017. Em agosto de 2025, quase 60 mil pessoas foram deslocadas em duas semanas, e em abril de 2026 militantes incendiaram a igreja de São Luís de Montfort, em Minhoene. “Esta guerra sem sentido só mata, mata, mata e tira a pouca esperança que as pessoas, principalmente as crianças, tinham”, disse à ACN o padre Kwiriwi Fonseca, da Diocese de Pemba.

No Sahel, grupos armados controlam pelo menos 40% do território de Burkina Faso, segundo a organização. Em agosto de 2024, na aldeia de Sanaba, insurgentes levaram homens cristãos e seguidores de religiões tradicionais a uma igreja protestante e mataram 26 deles. No Mali, líderes de igrejas em Mopti tiveram uma semana para aceitar regras islâmicas ou sair. No Sudão, em guerra civil desde 2023, mais de 100 igrejas foram danificadas ou destruídas, de acordo com o relatório.
Fora da África, o documento cita restrições mais duras a igrejas não registradas na China, mais de 700 incidentes de violência contra cristãos na Índia em 2025 e mais de 30 sequestros documentados de mulheres e meninas cristãs no Egito em 2024. A ACN ressalva que pobreza, etnia e disputa por terra também pesam, mas sustenta que a dimensão religiosa dos ataques costuma ser subestimada.
Vídeo · YouTubeOremos pelos cristãos da Nigéria, de Moçambique, do Sahel e do Sudão, pelas famílias que esperam notícias de sequestrados e pelas igrejas que seguem reunindo o povo.
Com informações de Christian Daily International e Vatican News.



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