Igreja batista de Moscou é multada por ter uma Bíblia de missão considerada “indesejável”
Lei russa contra organizações estrangeiras "indesejáveis" já alcança mais de 20 entidades religiosas e pune pastores pela posse de publicações da Mission Eurasia

Um tribunal de Moscou multou a Igreja Batista Gólgota e o seu pastor, Pyotr Mitskevich, porque promotores encontraram um único exemplar de uma Bíblia publicada pela Mission Eurasia dentro de um escritório da igreja. A organização missionária protestante, com sede nos Estados Unidos, foi declarada “indesejável” pela Procuradoria-Geral da Rússia em 30 de abril de 2026. O caso aparece em relatório do Forum 18, serviço de notícias norueguês especializado em liberdade religiosa, publicado no fim de outubro.
Na Rússia, quando a Procuradoria-Geral decide que uma organização estrangeira ameaça a segurança do país, ela entra numa lista do Ministério da Justiça. A partir daí, a entidade é fechada e qualquer pessoa pode ser punida por “participar” das suas atividades, o que inclui guardar ou distribuir material impresso por ela. Segundo o Forum 18, mais de 20 organizações ligadas à religião já receberam esse rótulo, entre grupos protestantes, Testemunhas de Jeová e o Falun Gong.

As multas administrativas vão de 5 mil a 15 mil rublos para pessoas físicas e de 50 mil a 100 mil rublos para pessoas jurídicas; de acordo com o Forum 18, 100 mil rublos equivalem a cerca de seis semanas do salário médio russo. O ponto mais grave é a reincidência: quem for punido uma segunda vez pode responder a processo criminal, com pena de até quatro anos de prisão.
Casos parecidos se repetem fora da capital. Na cidade de Vladimir, o mesmo tribunal multou o pastor protestante Roman Usmanov e o pastor batista Andrey Butorin por “distribuição” de livros e folhetos da Mission Eurasia. O Forum 18 perguntou aos promotores e ao tribunal se o material apreendido será destruído, como aconteceu com uma Bíblia numa cidade da região de Moscou no começo do ano, mas não obteve resposta.
O relatório traz ainda o caso da pesquisadora Olga Sibiryova, do Centro Sova, instituto russo que acompanha a liberdade religiosa. Ela recebeu a multa máxima para pessoa física, 15 mil rublos, sob a acusação de participar das atividades de uma aliança internacional pela liberdade religiosa considerada “indesejável”. A única ligação apontada pela promotoria foi que a organização estrangeira teria citado relatórios públicos da pesquisadora. O Centro Sova afirma que nem ela nem o instituto jamais tiveram contato com a aliança e chama a acusação de “completamente falsa”.
Para as igrejas evangélicas russas, a mensagem é de cautela: um livro na estante pode virar uma multa, e a segunda multa pode virar prisão. O Forum 18 observa que as punições recentes se baseiam em “participação” mínima ou involuntária. Vale orar pelos pastores e pelas congregações que seguem se reunindo nessas condições.
Com informações de Forum 18.



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