Presbítero de igreja doméstica sai da prisão na China; dois pastores seguem presos
Ma Tao cumpriu um ano e quatro meses por “organizar reuniões ilegais” em Fuyang; os pastores Chang Shun e Zhang Sen devem ser soltos em novembro e em janeiro

O presbítero Ma Tao, da Igreja Reformada Maizhong, na cidade de Fuyang, província de Anhui, no leste da China, voltou para casa em 28 de outubro depois de cumprir uma pena de um ano e quatro meses de prisão por “organizar reuniões ilegais”. A informação é da Rede de Defesa de Direitos (Rights Defense Network), organização chinesa que monitora direitos humanos, e foi divulgada pela ASSIST News Service e pela ChinaAid.
Dois pastores condenados no mesmo processo continuam presos. Chang Shun recebeu pena de 18 meses e tem a soltura prevista para 18 de novembro. Zhang Sen, pastor sênior da igreja, foi condenado a um ano e sete meses e deve sair em 24 de janeiro de 2027. As sentenças foram dadas em 10 de agosto pelo Tribunal Popular do Distrito de Yingzhou.

O caso começou em 29 de junho de 2025, quando a polícia invadiu o culto de domingo da Igreja Reformada Maizhong e da Capela da Aliança, congregação ligada a ela. Dezenove pessoas foram levadas à delegacia, entre elas quatro crianças. A maioria foi liberada no dia seguinte, mas Ma Tao e Chang Shun ficaram em detenção criminal. Zhang Sen foi preso em 9 de julho em Xuzhou, na província de Jiangsu, e levado de volta a Fuyang.
Segundo a acusação, os três líderes organizavam reuniões religiosas sem autorização do governo desde 2021 e teriam perturbado a ordem pública. Entre as provas citadas pelo Ministério Público, de acordo com a ChinaAid, estavam cultos em casas, a celebração de casamentos, a presença de menores em atividades religiosas e a recepção de cristãos recém-saídos da detenção. Depois da batida policial, os membros passaram a se reunir em grupos menores, em casas, e relataram vigilância, ameaças e pressão para se mudar.
No julgamento, em junho de 2026, Zhang Sen admitiu que as reuniões aconteceram, mas negou que fossem crime. “Embora eu reconheça que esses fatos de fato ocorreram, minha consciência não me permite admitir que foram criminosos”, disse ele ao tribunal, segundo a ChinaAid. O pastor afirmou que reunir-se para adorar é prática básica do cristianismo, protegida pela Constituição chinesa, que formalmente garante a liberdade de crença, e acrescentou: “Seja qual for a decisão do tribunal, não odiarei ninguém.”
Igrejas domésticas são as congregações que funcionam fora do sistema religioso aprovado pelo Estado chinês. Desde que o Regulamento de Assuntos Religiosos revisado entrou em vigor, em 2018, pastores e presbíteros dessas igrejas têm enfrentado detenções administrativas e processos criminais. Ore pelos pastores Chang Shun e Zhang Sen, por suas famílias e pela igreja de Fuyang.
Com informações de ASSIST News Service e ChinaAid.



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