Mundo17/10/2026

Relatório aponta conversões forçadas e abuso da lei da blasfêmia no Paquistão

Comissão de Direitos Humanos do Paquistão diz que leis de proteção existem, mas não saem do papel; só no Punjab, 559 acusados de blasfêmia estavam presos

Cristãos e outras minorias religiosas do Paquistão continuam sujeitos a conversões e casamentos forçados, acusações de blasfêmia e ataques de multidões, apesar de leis aprovadas recentemente para protegê-los. A conclusão é do sétimo relatório anual sobre liberdade religiosa da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP), entidade independente, apresentado em 15 de outubro, segundo o Christian Daily International. O documento cobre o período de 1º de julho de 2025 a 30 de junho de 2026.

A comissão reconhece avanços, como a lei que cria a Comissão Nacional para as Minorias e a fixação da idade mínima de 18 anos para casamento nas províncias do Punjab e do Baluchistão. Mas, cerca de sete meses depois da aprovação, a comissão para as minorias ainda não foi formada. “A postura do Estado em relação às minorias religiosas está cada vez mais excludente”, afirmou a diretora da HRCP, Farah Zia, no lançamento.

Um dos pontos centrais é o sequestro de meninas cristãs e hindus, que depois aparecem convertidas ao islã e casadas, muitas vezes com homens mais velhos. Citando especialistas da ONU, o relatório informa que, em 2025, cerca de 75% das vítimas de conversão forçada por casamento eram hindus e 25% cristãs, e que perto de 80% dos casos ocorreram na província de Sindh, com adolescentes de 14 a 18 anos entre as mais vulneráveis. A HRCP recomenda que conversões religiosas sejam feitas em tribunal ou diante de um funcionário do governo.

Sobre a lei da blasfêmia, a comissão afirma que as acusações continuam sendo usadas em vinganças pessoais e extorsões. Dados do departamento de presídios do Punjab mostram 559 acusados de blasfêmia presos em 28 de junho, 491 deles ainda aguardando julgamento. O relatório também lembra a denúncia de uma rede que atrairia jovens, inclusive cristãos, para falsos casos de blasfêmia na internet com o objetivo de extorquir dinheiro; segundo a HRCP, os suspeitos ainda não foram investigados.

A ativista Nabila Feroz Bhatti citou no lançamento o caso do cristão Kamran Gill Masih, que teve a farmácia incendiada por uma multidão em Sheikhupura, em 9 de outubro, depois de ser acusado de blasfêmia nas redes sociais, episódio já noticiado pelo portal. O Paquistão está entre os países onde ser cristão é mais difícil, segundo a Lista Mundial da Perseguição.

Ore pelas famílias cristãs que buscam justiça no Paquistão e pelos presos que aguardam julgamento por acusações de blasfêmia.

Com informações de Christian Daily International.

Deixe sua palavra

Comentários com respeito e amor edificam a todos.

Reportar um erro

Viu algo errado nesta página? Conte para a equipe da Rádio Aleluia. Obrigado por ajudar!

O que aconteceu?