Seis obreiros cristãos sequestrados no Sudão do Sul são libertados após cinco dias
Líderes da Young Life voltavam de um curso de teologia quando foram emboscados; eles relatam espancamentos, fome e noites ao relento no mato

Seis obreiros cristãos da organização Young Life no Sudão do Sul foram libertados em 1º de outubro, depois de passarem cerca de cinco dias nas mãos de homens armados não identificados. O grupo foi capturado na noite de 26 de setembro, na estrada que liga Juba a Yambio, quando seguia de Kajo Keji para Maridi, cidade do estado de Equatória Ocidental. A informação foi divulgada pela agência Morning Star News.
Os seis, todos sul-sudaneses, voltavam de um período de formação teológica em Kajo Keji. Segundo o diretor da Young Life no país, pastor David Nyoma John, o veículo em que viajavam foi incendiado durante a emboscada, por volta das 21h45. Ele contou que os obreiros foram levados para uma área isolada de mata e mantidos ali em condições duras. Ao serem soltos, relataram ter apanhado, ter sido obrigados a carregar peso por longas distâncias e ter recebido pouca comida e água. Dormiam no chão, sem abrigo nem cobertas.
Os sequestradores tomaram celulares, Bíblias e até os certificados do curso teológico. De acordo com o pastor, os seis ficaram abalados e precisaram de atendimento médico e psicológico. Não se sabe por que foram libertados, mas a avaliação de fontes ouvidas pela agência é que o sequestro teria sido uma forma de punição pelo trabalho cristão que realizam. O bispo católico da diocese de Tombura-Yambio, Eduardo Hiinoro Kussala, condenou o ataque e pediu aos grupos armados que deixem de atacar civis, lembrando que as vítimas são “irmãos e irmãs” deles.
O Sudão do Sul é o país mais jovem do mundo: tornou-se independente do Sudão em julho de 2011. Dois anos depois, mergulhou em uma guerra civil, e os combates continuam apesar de um acordo de paz assinado em 2018, segundo as Nações Unidas. A maior parte da população é cristã — 63,7%, de acordo com o Joshua Project —, mas a violência atinge também líderes de igrejas. Em 2026, pelo menos dois pastores foram mortos perto da capital, Juba: um líder da Igreja Africana do Interior, assassinado em casa em janeiro, e um pastor pentecostal, sequestrado e encontrado morto em fevereiro. Líderes cristãos da região cobram mais proteção e investigação desses crimes.
Vale a oração pela recuperação física e emocional dos seis obreiros, pelas famílias deles e pelas igrejas do Sudão do Sul, que seguem servindo em meio à insegurança.
Com informações de Morning Star News.



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