Aliança de tradução define 2040 como meta para levar a Bíblia a todas as línguas do Brasil
Sem mudança de ritmo, a última língua brasileira com projeto em andamento só teria as Escrituras em 2087, segundo a Sociedade Bíblica do Brasil

Organizações que trabalham com tradução da Bíblia no Brasil fixaram o ano de 2040 como alvo para que todas as línguas do país com projetos em andamento tenham as Escrituras. A meta saiu de uma semana de reuniões na sede da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), em Barueri (SP), e foi divulgada pela entidade em 27 de outubro, de acordo com o portal Comunhão.
Participaram do encontro 25 pessoas, entre membros do Comitê Facilitador da Aliança Pró-Tradução da Bíblia (APTB), representantes da organização Seed Company e convidados ligados a projetos de tradução. O ponto de partida foi um cálculo feito pelo diretor de Relações Institucionais e Arrecadação da SBB, Paulo Teixeira: mantido o ritmo atual, a última língua brasileira com tradução em curso só receberia o texto bíblico em 2087.
A SBB explica que 2040 é uma referência para unir esforços nos próximos cerca de 14 anos, e não uma previsão fechada. Teixeira lembrou que pressa não pode custar qualidade e que a fidelidade vale tanto para o texto quanto para quem vai recebê-lo. Para ele, o caminho é a cooperação entre as organizações, com o objetivo de que a Palavra chegue “na língua do coração de todos os povos aqui no Brasil”.
O diretor-presidente da SBB, reverendo Erní Seibert, falou sobre a história da instituição e defendeu que a Bíblia seja vista como instrumento da missão da igreja, e não como produto. Nathan Fair, diretor da Seed Company, pediu que os projetos fiquem perto das comunidades que vão ler o texto e que a tradução não seja só trabalho técnico de linguistas.
Quem atua no campo destacou o papel da SBB como ponto de encontro. Cleo Larson, da Jocum (Jovens com uma Missão) em Porto Velho (RO), disse que a entidade tem reunido as organizações e cuidado da distribuição. Raquel Parker, parceira da Sociedade Bíblica em projetos de tradução há cerca de 14 anos, contou que as reuniões ajudaram a enxergar o trabalho como missão, e não apenas como tarefa de empresa.
A SBB vem alertando há anos que a obra está longe do fim: ainda há milhares de línguas no mundo sem nenhum trecho das Escrituras, e as traduções para línguas indígenas brasileiras continuam em andamento.
Com informações de Comunhão.



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