Igreja25/10/2026

Especialista indiano diz a pastores que a IA não substitui o preparo do sermão

Em encontro online da Aliança Evangélica da Índia, ele listou usos úteis da IA na igreja, quatro riscos e cuidados com dados pessoais dos membros

Especialista indiano diz a pastores que a IA não substitui o preparo do sermão
Foto: reprodução / Christian Daily International

Pastores que usam inteligência artificial para preparar sermões e estudos bíblicos precisam assumir total responsabilidade pelo que pregam. Esse foi o recado de um especialista indiano em IA, que trabalha com a tecnologia no setor empresarial, num seminário online realizado em 16 de outubro pela Comissão Teológica da Evangelical Fellowship of India, a aliança evangélica do país. O encontro teve o tema “IA, dignidade humana e o futuro da igreja”, segundo o Christian Daily International.

Ele explicou de forma simples como funcionam os grandes modelos de linguagem: são programas treinados em padrões de texto que produzem respostas prevendo a próxima palavra. Por isso, embora pareçam humanos, não fazem o que é próprio do ministério, como amar, pastorear, servir, discernir e testemunhar de Cristo. “A IA não pode orar por nós”, afirmou.

Entre os usos que considera úteis estão esboços, ilustrações e referências cruzadas, roteiros de estudo, materiais de ensino, atas de reunião e tradução de recursos para línguas locais. Mas a mensagem pertence ao pregador, disse ele, e o texto bíblico deve governar o sermão. Na tradução, recomendou que uma pessoa fluente na língua revise tudo antes do uso. Para o estudo bíblico, a orientação foi começar pela passagem, e não pelo comando dado ao programa, conferindo o que a IA sugere com comentários, dicionários bíblicos e concordâncias, e checando se os autores e livros citados realmente existem.

O especialista apontou quatro riscos: falsa autoridade, quando a ferramenta inventa versículos e fontes; plágio e interpretações de um lado só; falsificação de identidade, com vídeos e áudios forjados; e perda de confiança, se a congregação passar a ver o cuidado pastoral como algo feito por máquina. Ele insistiu ainda que nunca se coloquem em ferramentas públicas de IA informações pessoais dos membros, como confidências feitas em aconselhamento, dados de saúde e finanças ou cadastros de crianças.

O moderador, o reverendo Samuel Richmond, chefe da Comissão Teológica, disse que o Caleb Institute está preparando orientações sobre o uso de IA, porque ficou difícil até para os professores saber se trabalhos e sermões dos alunos são autênticos. O seminário também contou com o teólogo indiano Vinay Samuel, que defendeu num artigo que a IA não pode se tornar consciente como o ser humano.

Com informações de Christian Daily International.

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