Igrejas da Coreia do Sul apostam em grupos pequenos para trazer jovens de volta
Pesquisa mostra que 41% dos adolescentes que ainda frequentam a igreja já pensaram em sair; novas comunidades em Seul tentam responder

Diante da saída de jovens das igrejas, pastores da Coreia do Sul estão abrindo comunidades que trocam a estrutura tradicional do culto por relacionamentos próximos e grupos pequenos, segundo reportagem da Christianity Today. Um relatório de 2026 do Instituto de Pesquisa de Dados Pastorais, de Seul, aponta que 26% dos universitários se dizem cristãos, mas não frequentam igreja, e que 41% dos adolescentes que ainda vão aos cultos já pensaram em sair.
Os dados mostram também que 74% dos que deixaram a igreja disseram não ter com quem dividir suas lutas na comunidade. O motivo mais citado para a saída foi achar os cultos e as pregações cansativos e sem sentido. O cenário contrasta com o crescimento das últimas décadas: os cristãos passaram de 18% da população sul-coreana em 1970 para 30% em 2000, e o país chegou a ser o segundo maior enviador de missionários do mundo, posto que depois ficou com o Brasil.
Uma das novas comunidades é a Knock Church, no distrito de Yeongdeungpo, onde a mensagem é conduzida como uma conversa e os membros se reúnem durante a semana em grupos chamados de “equipes”, com estudo bíblico, oração e até corrida e futebol. O pastor Park Chan-yeol diz que a igreja deve ajudar os jovens a descobrir uma fé própria, e não apenas uma lista do que não fazer. A Newsong Church começou em 2013 num porão do bairro boêmio de Hongdae e, neste ano, mudou-se para um espaço maior. Seu pastor, Nam Bin, vê na crise uma falha de transmissão: a fé dos pais não se tornou a fé dos filhos.

A pressão por estudo e emprego também pesa. Para facilitar a participação, as duas igrejas transmitem cultos, reuniões de oração e grupos pela internet, e a Newsong entrega o cuidado dos membros a líderes leigos. O interesse vai além de cada igreja: em outubro, o encontro G2A (Go To All) reuniu cerca de 14.500 jovens em dez horas de louvor num centro de convenções perto de Seul.
“Não se trata de forma, mas de essência; não de estrutura, mas de relacionamento; não de regras, mas do evangelho”, resume Nam.
Com informações de Christianity Today.



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