App gratuito criado por alunos do IFSP ajuda crianças a falar e vence prêmio nacional
O Papuguinho transforma toques em figuras em frases faladas, já passou de 8 mil downloads e ficou em 1º lugar no Prêmio Boas Práticas na Escola 2026

Uma criança que não consegue falar toca na figura de um copo d’água, depois na de uma pessoa sorrindo, e o tablet diz a frase em voz alta. É assim que funciona o Papuguinho, um aplicativo gratuito criado por estudantes do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), campus Jacareí, no Vale do Paraíba. Em 15 de outubro, o projeto conquistou o primeiro lugar nacional no Prêmio Boas Práticas na Escola 2026, promovido pela Editora Moderna, e mostrou que uma ideia nascida dentro de uma escola pública pode mudar a rotina de muitas famílias.
De acordo com o IFSP, o Papuguinho venceu na categoria que reúne os anos finais do ensino fundamental, o ensino médio e a Educação de Jovens e Adultos (EJA). A edição deste ano teve como tema a educação inclusiva e recebeu mais de 600 projetos, com 1.414 participantes de 533 municípios. O trabalho de Jacareí já estava entre os três finalistas, anunciados no começo de outubro.
Como o aplicativo funciona
O Papuguinho é uma ferramenta de comunicação aumentativa e alternativa, a CAA, nome dado aos recursos que ajudam pessoas com pouca ou nenhuma fala a se expressar. Na tela, a criança encontra pranchas com figuras coloridas. Ao tocar nelas em sequência, monta uma frase, e o aplicativo fala a mensagem. Assim ela consegue dizer o que quer, o que sente e do que precisa para a família, para os professores e para os profissionais de saúde.
O aplicativo foi pensado principalmente para crianças neurodivergentes, como as que estão no transtorno do espectro autista (TEA), mas também atende outras pessoas com dificuldade de fala ou de interação. As imagens podem ser trocadas e adaptadas à rotina de cada criança. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC) em agosto, uma atualização chamada Estúdio Papuguinho passou a permitir que o usuário altere os pictogramas, crie as próprias pranchas e imprima as figuras para usar também no papel.
O nome vem do papagaio, a ave conhecida por repetir sons. Ainda de acordo com o MEC, as pesquisas feitas pela equipe mostraram que os usuários preferiam tons de azul e verde, ligados à natureza, e essas cores entraram na identidade do aplicativo.
De projeto de escola a ferramenta usada no país
Tudo começou em 2024, como um projeto de iniciação científica do estudante Gabriel Baroni, que na época cursava o ensino médio no IFSP. Ele foi orientado pelos professores Tardelli Stekel e Ana Paula Kawabe. Os próprios alunos cuidam de todas as etapas: pesquisa, desenho das telas, programação e treinamento de educadores e profissionais de saúde. Hoje a equipe reúne ex-alunos do instituto e estudantes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
O Papuguinho já é usado nas escolas municipais de educação infantil e de ensino fundamental de Jacareí, com o apoio de profissionais da educação e da saúde da cidade, que ajudam a adaptar a ferramenta. Segundo o IFSP, o aplicativo soma mais de 8 mil downloads no Google Play, feitos por famílias, professores e terapeutas de vários estados. Além da versão para Android, há uma versão no site do projeto e outra para Windows, e a equipe planeja levá-lo também para outros sistemas.
O reconhecimento não veio só da Editora Moderna. Em agosto, o aplicativo foi destaque no portal do MEC, e o IFSP informou que uma equipe do ministério visitaria Jacareí em outubro para gravar a experiência como exemplo de boa prática da Rede Federal. O projeto também está entre os 80 selecionados, de mais de 1.500 inscritos, para a etapa de entrevistas do Prêmio LED 2027.
Como vencedor, o Papuguinho recebe o troféu Boas Práticas em Educação Inclusiva, um notebook, um voucher de viagem e um convite para apresentar o trabalho num evento da Editora Moderna em 2027. A cerimônia de premiação será em São Paulo, em data ainda a ser divulgada.
Dar voz a quem não tem
Para muitas famílias, conseguir entender o que o filho quer dizer é um alívio que não tem preço. Um grupo de estudantes que usou o tempo, o estudo e o talento para que crianças possam pedir água, contar que estão com dor ou dizer que estão felizes lembra um conselho antigo da Palavra de Deus: “Abre a tua boca a favor do mudo, a favor do direito de todos os desamparados” (Provérbios 31:8). Ciência e tecnologia, quando colocadas a serviço do próximo, também são uma forma de amor.
Com informações de IFSP Campus Jacareí e Só Notícia Boa.



Deixe sua palavra
Comentários com respeito e amor edificam a todos.