Três italianos mergulham por dias e voam vestidos de hobbits para devolver aliança perdida
O irlandês Patrick Mohr perdeu o anel de casamento num rio da Toscana; desconhecidos o acharam e foram entregá-lo em Dublin fantasiados de Frodo, Merry e Sam

Era 4 de julho de 2026, um dia de calor forte no rio Lima, no interior da Toscana, quando o irlandês Patrick Mohr pulou de uma pedra na água segurando a mão de uma das filhas. Pouco depois, percebeu que a aliança de ouro de 18 quilates, que usava havia 16 anos, tinha escorregado do dedo e sumido na correnteza. Segundo o jornal italiano Il Tirreno, a família, de Dublin, passava férias na região e estava numa pequena praia de rio perto de Fabbriche di Casabasciana, no município de Bagni di Lucca.
Ali perto estavam três amigos de Borgo a Mozzano, cidade vizinha, que costumam se refrescar naquelas águas: Edoardo Poggi e Filippo Palagi, de cerca de 30 anos, e Nicola Malloggi, de 35. A esposa de Patrick, Joanne McHugh, pediu ajuda e óculos de natação, e os rapazes mergulharam na hora. A profundidade e a força da corrente impediram o achado. Antes de a família seguir viagem, todos trocaram telefones, e os italianos pediram que eles não perdessem a esperança.

Um brilho no fundo do rio
Os três não esqueceram a promessa. Cerca de uma semana depois, voltaram ao mesmo ponto. De acordo com a revista People, que citou entrevista de Patrick ao jornal britânico The Times, foram quatro horas de mergulho e escalada entre as pedras. O site Good News Network, com base no relato de Patrick à rádio canadense CBC, conta que eles chegaram a se amarrar com cordas aos rochedos para enfrentar as corredeiras. Foi então que Malloggi viu algo reluzir na areia do fundo e mergulhou para buscar.
Nove dias depois da perda, Patrick, que ainda estava na Toscana, preparava o jantar quando chegou uma mensagem de um número italiano desconhecido, com a foto do anel e uma brincadeira com o personagem que vive obcecado por um anel em O Senhor dos Anéis: “Oi, Sméagol, olha o que encontramos”. À CBC, ele contou que guardou o celular no bolso e continuou mexendo a panela do macarrão, em choque.
A sociedade do anel
Os amigos decidiram que não mandariam a aliança pelo correio: queriam entregá-la pessoalmente, assim que o trabalho permitisse. Segundo o Il Tirreno, a viagem aconteceu em 1º de outubro. Depois de um voo de companhia aérea de baixo custo, os três chegaram à casa da família vestidos de Frodo, Merry e Sam, os hobbits da saga de J. R. R. Tolkien, ao som da trilha dos filmes. No jogo, Patrick ganhou o papel de Gandalf.
Os visitantes levaram vin santo e cantuccini, o vinho e os biscoitos típicos da Toscana. A família preparou um ensopado irlandês, levou os novos amigos a Glendalough, um antigo mosteiro entre lagos nas montanhas de Wicklow, e brindou com eles num pub. Cada um recebeu uma pulseira de prata gravada com o nome verdadeiro e o nome de hobbit. “Antes disso, a gente nem se conhecia. Agora temos uma família na Irlanda”, disse Palagi, segundo o site The Good Press.
A história saiu primeiro na imprensa da Toscana e, nas semanas seguintes, foi recontada pelo The Times, pela People, pela CBC e por sites de boas notícias, multiplicando-se nas redes de fãs de Tolkien. Poggi já prometeu, de acordo com o The Times, que se a família voltar no próximo verão haverá almoço e passeio por conta deles. Patrick resumiu a lição dizendo que muita gente tem receio de pedir ajuda, mas que, às vezes, quem pede recebe resposta.

A alegria de achar o que estava perdido
Três desconhecidos gastaram horas, coragem e ainda atravessaram a Europa por algo que nem era deles, só porque entenderam o valor que aquele anel tinha para uma família. Jesus contou a história de uma mulher que varreu a casa inteira atrás de uma moeda e, ao encontrá-la, chamou as vizinhas para celebrar: “Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu havia perdido” (Lucas 15:9). Amar o próximo, muitas vezes, é isso: insistir na busca e repartir a alegria do encontro.
Com informações de Good News Network e Il Tirreno.



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