Igreja batista de Santa Maria (RS) mantém mercado solidário para famílias vulneráveis
Projeto da Igreja Batista Ágape começou em 2023 com 50 pessoas e, só em 2025, beneficiou mais de 700, com ajuda de 65 voluntários e oito empresas

Em Santa Maria, no centro do Rio Grande do Sul, uma igreja batista encontrou um jeito prático de colocar comida na mesa de quem mais precisa: um mercado em que nada se paga. O Mercado Solidário, mantido pela Igreja Batista Ágape, entrega alimentos e produtos gratuitamente a famílias em situação de vulnerabilidade social e, segundo reportagem do Jornal do Comércio publicada em 28 de outubro, já atendeu centenas de lares desde que começou.
A iniciativa faz parte do Ágape Social, o ministério de assistência da igreja, que tem cerca de cinco anos de ações. O mercado abriu as portas em julho de 2023, de forma modesta: atendeu 50 pessoas, com cerca de uma tonelada de alimentos e produtos. De lá para cá, o trabalho cresceu e hoje conta com cerca de 65 voluntários e oito empresas parceiras.

Como o mercado funciona
As doações chegam por vários caminhos: arrecadações feitas em supermercados, os grupos que se reúnem nas casas dos membros, eventos da própria igreja e contribuições de pessoas e empresas da cidade. Tudo é reunido e organizado para as edições do mercado.
Para participar, a família faz o cadastro pelo WhatsApp, que abre no dia 1º de cada mês, às 7h. As vagas são limitadas e preenchidas por ordem de chegada. No primeiro contato, é preciso informar nome completo e CPF e mandar uma foto da folha-resumo do Cadastro Único, o CadÚnico, que é a porta de entrada dos programas sociais do governo. Quem já participou antes pode pedir a vaga direto pelo mesmo canal.
Para que a ajuda alcance mais gente, cada família pode participar quatro vezes num período de 12 meses, de preferência em meses alternados. Hoje, a média é de 50 famílias por edição. Além do atendimento regular, há edições especiais na Páscoa, no Dia das Crianças e no Natal, e ações em datas como o Dia das Mães, o Dia dos Pais e o Mês da Mulher. A igreja também distribui cestas básicas emergenciais para casos que não podem esperar.
Os números do trabalho
De acordo com os dados do projeto divulgados pelo jornal, em 2025 foram nove edições, mais de 250 famílias atendidas, mais de 700 pessoas beneficiadas e cerca de 130 cestas emergenciais entregues. Nos primeiros sete meses de 2026, foram quatro edições, 140 famílias atendidas e mais de 400 pessoas beneficiadas.
Um dado chama a atenção: cerca de 90% dos lares atendidos são chefiados por mulheres. São mães que, muitas vezes sozinhas, precisam fazer o orçamento render. Uma delas, mãe de um menino autista, contou à reportagem que a ajuda permite usar parte do dinheiro em outras necessidades, como a viagem até o município de Formigueiro, onde o filho faz tratamento na Apae. Ela também lembrou que as crianças ganharam presentes nas edições especiais, algo que a família não teria condições de comprar. Outra mãe, que vive com o apoio de programas sociais, destacou a importância dos alimentos para o sustento dos filhos e o acolhimento que encontrou no projeto.
Ajuda que abre portas para o trabalho
A igreja não quis parar na cesta. No ano passado, criou o Emprega Mais, projeto que prepara pessoas para o mercado de trabalho. Ele é aberto às famílias atendidas pelo Mercado Solidário e a qualquer outro interessado, sem exigência de vínculo com a igreja.
As oficinas são feitas em parceria com o Sest Senat e tratam de temas como relacionamento interpessoal, habilidades de comportamento no trabalho, montagem de currículo e preparação para entrevistas de emprego. Há também parceria com a Sala do Empreendedor, que orienta trabalhadores autônomos sobre como se formalizar como microempreendedor individual, o MEI. Para que as mães possam participar com tranquilidade, o projeto mantém um espaço kids para as crianças durante as atividades. Quem participa de todo o curso recebe uma vaga no Mercado Solidário e vale-transporte.
A combinação é simples e inteligente: o alimento resolve a necessidade de hoje, e a capacitação ajuda a família a caminhar com as próprias pernas amanhã.
Fé que se arregaça as mangas
Histórias como a de Santa Maria mostram a igreja fazendo o que sempre fez de melhor quando segue o exemplo de Jesus: enxergar quem está ao lado e estender a mão. Não há grandes recursos nem holofotes, mas há voluntários que separam tempo, empresas que confiam e famílias que encontram alívio e dignidade. É a fé vivida na prática, do jeito que o apóstolo Paulo ensinou: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2).
Com informações de Jornal do Comércio.




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