Boas notícias07/11/2026

Aluno do sertão baiano vence feira internacional com cimento de papel e fibra de coco

Thiago Ferreira, de 18 anos, do Cetep do Sisal, em Serrinha, levou o 1º lugar na Mostratec 2026 e ganhou vaga na maior feira de ciência pré-universitária do mundo, nos EUA

Fardos de fibra de coco: junto com papel reciclado, o material vira bloco de calçada no projeto Biocimento
Fardos de fibra de coco: junto com papel reciclado, o material vira bloco de calçada no projeto Biocimento Foto: TheOilLamp / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Um jovem de 18 anos, criado na zona rural de Água Fria, no interior da Bahia, acaba de levar o primeiro lugar em uma das maiores feiras de ciência do país e garantiu passagem para a maior feira pré-universitária de ciência e engenharia do mundo. Thiago Ferreira, aluno do curso técnico em Administração do Centro Territorial de Educação Profissional (Cetep) do Sisal, em Serrinha, venceu a categoria Engenharia/Urbanismo da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec-Liberato) 2026, realizada em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. As informações são dos jornais baianos Correio e A Tarde, publicadas em 3 de novembro de 2026.

Junto com o troféu veio uma credencial para a Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), marcada para maio de 2027 em Los Angeles, nos Estados Unidos. Segundo o Correio, a ISEF é considerada a maior feira pré-universitária de Ciência e Engenharia do mundo.

Papel e fibra de coco no lugar do cimento

O projeto premiado se chama Biocimento. A proposta é transformar papel reciclado e fibras de coco, materiais que normalmente iriam para o lixo, em blocos para calçadas e pavimentação intertravada. De acordo com o A Tarde, a ideia converte resíduos em soluções de baixo custo. O site Bahia Notícias chamou a invenção de cimento verde.

A pesquisa nasceu dentro da própria escola. Segundo nota do governo da Bahia publicada em 3 de dezembro de 2024, o trabalho começou com a ideia de reaproveitar o grande volume de papel produzido no Cetep do Sisal e descartado sem destino certo. Na época, Thiago cursava o 1º ano do curso técnico de Administração e dividia a autoria com os colegas Felipe Macedo e Claudemir Carvalho, orientados pelo professor Thales Nascimento.

Naquele mesmo ano, o Biocimento recebeu Menção Honrosa e o prêmio de Voto Popular na 11ª edição do Solve for Tomorrow, programa da Samsung voltado a estudantes do ensino médio de escolas públicas. Foi o projeto mais votado, com 20.208 votos, conforme a nota do governo baiano.

De feira em feira até os Estados Unidos

De acordo com o Correio e o A Tarde, Thiago participou em 2024 e 2025 da Feira de Ciências, Empreendedorismo Social e Inovação da Bahia (Feciba), promovida pela Secretaria da Educação do estado. Em 2025, ficou em primeiro lugar na categoria Engenharia da feira internacional FICTIMC 2025, em Valledupar, na Colômbia, e recebeu credencial para um evento em Dubai.

Em 2026, a lista cresceu: segundo lugar na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), primeiro lugar em Ciências Sociais e Aplicadas na Expo Nacional Milset Brasil, em Fortaleza, e o Prêmio Sebrae Educação Empreendedora, que rendeu credencial para a Exporecerca Jove 2027, em Barcelona, na Espanha. Em março de 2026, o professor Thales Lima do Nascimento também venceu a categoria Educadores do Prêmio LED – Luz na Educação, da Rede Globo e da Fundação Roberto Marinho, com o mesmo projeto, segundo a Secretaria da Educação da Bahia.

Para o professor, o resultado tem um peso que vai além da premiação. “Levar um estudante do sertão baiano a uma feira de tamanha relevância internacional é a realização de um sonho e a prova de que a ciência produzida em nossas escolas pode transformar vidas e ultrapassar fronteiras”, disse Thales Nascimento, em declaração publicada pelo Correio e pelo A Tarde.

Thiago também falou sobre o que a conquista representa. “Sou da zona rural de Água Fria e esta conquista tem um significado enorme para mim, minha escola e comunidade. Ela mostra que a nossa origem não limita os nossos sonhos e que a educação pode abrir portas que antes pareciam distantes”, afirmou o estudante aos mesmos jornais.

Escola pública, ciência e esperança

A história de Thiago mostra algo que muita gente esquece: ciência de qualidade não depende só de laboratório caro. Depende de um problema real, de um professor que acredita nos alunos e de estudantes dispostos a insistir. O papel que sobrava na escola virou pesquisa; a pesquisa virou prêmio; o prêmio virou passagem para apresentar o trabalho do outro lado do mundo.

Para quem é cristão, há aqui uma lição boa de guardar. A Bíblia valoriza o trabalho bem feito e o talento cultivado com dedicação: “Vês um homem hábil na sua obra? esse perante reis assistirá; e não assistirá perante homens obscuros” (Provérbios 22:29). Um jovem do sertão, com papel reciclado e fibra de coco nas mãos, está prestes a mostrar sua obra diante do mundo. Que a trajetória dele anime outros estudantes, professores e famílias a cuidar dos dons que Deus colocou em cada um.

Com informações de Correio e A Tarde.

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