Boas notícias06/11/2026

Após tornado, Maringá vê corrente de solidariedade com marmitas, igrejas e voluntários

Moradores de Sarandi prepararam mais de 300 refeições entregues de moto, grupo de WhatsApp reuniu 455 pessoas e cerca de 500 voluntários se cadastraram na prefeitura

Após tornado, Maringá vê corrente de solidariedade com marmitas, igrejas e voluntários
Foto: Adventistas do bairro Jardim Universo/Notícias Adventistas / GMC Online

Quatro dias depois de um tornado cruzar Maringá, no norte do Paraná, na madrugada de 2 de novembro, a cidade ainda contava árvores e postes caídos pelas ruas. Mas contava também outra coisa: uma rede de solidariedade que nasceu em grupos de WhatsApp, cozinhas improvisadas, igrejas e prefeituras vizinhas. Em 5 de novembro, mais de 300 marmitas preparadas em Sarandi, cidade vizinha, chegaram de moto às famílias de Maringá que seguiam sem energia elétrica e sem condições de cozinhar, segundo o portal GMC Online.

A resposta da comunidade impressiona pelo tamanho e pela rapidez. Em menos de uma semana, moradores comuns, entregadores, igrejas e cidades da região se organizaram para levar comida, água e mão de obra a quem mais precisava.

Ventos de até 250 km/h

O fenômeno foi confirmado pelo Simepar, sistema de meteorologia do Paraná, e pelo Observatório de Tornados da Universidade Estadual de Ponta Grossa, que o classificaram como F2 na escala Fujita, com rajadas de até 250 km/h. De acordo com a Prefeitura de Maringá, cerca de 40% da cidade foi atingida: no último balanço citado pela imprensa local, eram 1.027 árvores e 370 postes derrubados, além de barracões de fábricas destruídos e casas e comércios destelhados. Mais de 600 famílias receberam lonas para proteger os imóveis, e a prefeitura decretou situação de emergência.

Vista do centro de Maringá, no norte do Paraná, em foto de 2010
Vista do centro de Maringá, no norte do Paraná, em foto de 2010 Foto: Dalton Scavassa / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No auge do temporal, cerca de 85 mil imóveis ficaram no escuro. A Copel, companhia de energia do estado, mobilizou mais de mil profissionais para refazer a rede, mas na manhã de 5 de novembro 20,4 mil unidades consumidoras ainda aguardavam a volta da luz. Foi justamente essa demora, inevitável diante da destruição, que fez a comida virar a maior urgência de muitas famílias: sem geladeira funcionando, os alimentos estragavam dentro de casa.

Marmitas de moto e um grupo de WhatsApp

Foi aí que entrou Sarandi, município colado a Maringá. Conforme o GMC Online, os ingredientes foram arrecadados entre a própria população, as refeições foram preparadas ao longo do dia 5 de novembro e, à noite, motoboys se ofereceram para fazer a entrega. Um dos bairros atendidos foi o Conjunto Branca Vieira, onde moradores relataram a dificuldade de conservar os alimentos sem energia. Diversos entregadores participaram da força-tarefa, com as marmitas acomodadas nos baús das motos.

Antes disso, a própria comunidade já tinha se organizado pelo celular. Segundo o jornal Maringá Post, o grupo de WhatsApp “Mutirão Para Ajudar Afetados Pelo Tornado” reunia 455 pessoas até o início da tarde de 4 de novembro. As regras são simples: quem precisa de ajuda começa a mensagem com um sinal de exclamação, informando endereço e o que falta; quem oferece ajuda começa com o emoji de mãos em oração, dizendo o que pode fazer e em que horário. Água potável, comida pronta, velas, lanternas e itens de higiene eram as prioridades; móveis e eletrodomésticos ficariam para uma segunda etapa. O grupo também mantém pontos de arrecadação em Sarandi e em bairros de Maringá e apoia a produção contínua de marmitas.

Igrejas e cidades vizinhas

As igrejas entraram na frente de trabalho pesado. De acordo com o portal Notícias Adventistas, voluntários da Igreja Adventista se juntaram a outros moradores para cortar e retirar árvores caídas de avenidas, entre elas a que passa ao lado do Colégio Adventista da cidade, que ficou sem aulas até 4 de novembro. Outro grupo da mesma igreja planejou a entrega de marmitas na Avenida Tuiuti, no Jardim Colina Verde, uma das regiões mais castigadas, segundo o gabinete de gestão integrada da prefeitura.

A ajuda também veio de fora. Em 5 de novembro, a Prefeitura de Arapongas, também no norte do Paraná, enviou alimentos para Maringá, conforme o Jornal Repórter do Vale. A doação foi recebida pela primeira-dama Bernadete Barros, que informou que os mantimentos seriam usados nas marmitas dos voluntários que trabalham na cidade. “Se cada um puder dar a sua parcela de contribuição, isso vai ajudar muito a diminuir o sofrimento dessas pessoas”, disse o prefeito de Arapongas, Rafael Cita.

Na prefeitura de Maringá, cerca de 500 voluntários já tinham se cadastrado até 5 de novembro para ajudar na limpeza, segundo o prefeito Silvio Barros, que organizou a força-tarefa por bairros, começando pela Zona 7 e seguindo para a Zona 2 e o centro. A administração abriu um cadastro para empresas que possam ceder profissionais, máquinas e caminhões e informou que não há pedido oficial de doações em dinheiro. Profissionais enviados por outros municípios do Paraná reforçaram as equipes.

O estrago foi grande, e a reconstrução vai levar tempo. Mas a história que Maringá está contando nestes dias não é só a dos ventos: é a do vizinho que cozinha para o vizinho, do motoboy que entrega sem cobrar, da igreja que pega a motosserra e da cidade que manda comida para a cidade ao lado. Quando a força da natureza derruba, a força do amor ao próximo levanta. Como escreveu o apóstolo Paulo: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2).

Com informações de GMC Online e Notícias Adventistas.

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