Após tornado, Maringá vê corrente de solidariedade com marmitas, igrejas e voluntários
Moradores de Sarandi prepararam mais de 300 refeições entregues de moto, grupo de WhatsApp reuniu 455 pessoas e cerca de 500 voluntários se cadastraram na prefeitura

Quatro dias depois de um tornado cruzar Maringá, no norte do Paraná, na madrugada de 2 de novembro, a cidade ainda contava árvores e postes caídos pelas ruas. Mas contava também outra coisa: uma rede de solidariedade que nasceu em grupos de WhatsApp, cozinhas improvisadas, igrejas e prefeituras vizinhas. Em 5 de novembro, mais de 300 marmitas preparadas em Sarandi, cidade vizinha, chegaram de moto às famílias de Maringá que seguiam sem energia elétrica e sem condições de cozinhar, segundo o portal GMC Online.
A resposta da comunidade impressiona pelo tamanho e pela rapidez. Em menos de uma semana, moradores comuns, entregadores, igrejas e cidades da região se organizaram para levar comida, água e mão de obra a quem mais precisava.
Ventos de até 250 km/h
O fenômeno foi confirmado pelo Simepar, sistema de meteorologia do Paraná, e pelo Observatório de Tornados da Universidade Estadual de Ponta Grossa, que o classificaram como F2 na escala Fujita, com rajadas de até 250 km/h. De acordo com a Prefeitura de Maringá, cerca de 40% da cidade foi atingida: no último balanço citado pela imprensa local, eram 1.027 árvores e 370 postes derrubados, além de barracões de fábricas destruídos e casas e comércios destelhados. Mais de 600 famílias receberam lonas para proteger os imóveis, e a prefeitura decretou situação de emergência.

No auge do temporal, cerca de 85 mil imóveis ficaram no escuro. A Copel, companhia de energia do estado, mobilizou mais de mil profissionais para refazer a rede, mas na manhã de 5 de novembro 20,4 mil unidades consumidoras ainda aguardavam a volta da luz. Foi justamente essa demora, inevitável diante da destruição, que fez a comida virar a maior urgência de muitas famílias: sem geladeira funcionando, os alimentos estragavam dentro de casa.
Marmitas de moto e um grupo de WhatsApp
Foi aí que entrou Sarandi, município colado a Maringá. Conforme o GMC Online, os ingredientes foram arrecadados entre a própria população, as refeições foram preparadas ao longo do dia 5 de novembro e, à noite, motoboys se ofereceram para fazer a entrega. Um dos bairros atendidos foi o Conjunto Branca Vieira, onde moradores relataram a dificuldade de conservar os alimentos sem energia. Diversos entregadores participaram da força-tarefa, com as marmitas acomodadas nos baús das motos.
Antes disso, a própria comunidade já tinha se organizado pelo celular. Segundo o jornal Maringá Post, o grupo de WhatsApp “Mutirão Para Ajudar Afetados Pelo Tornado” reunia 455 pessoas até o início da tarde de 4 de novembro. As regras são simples: quem precisa de ajuda começa a mensagem com um sinal de exclamação, informando endereço e o que falta; quem oferece ajuda começa com o emoji de mãos em oração, dizendo o que pode fazer e em que horário. Água potável, comida pronta, velas, lanternas e itens de higiene eram as prioridades; móveis e eletrodomésticos ficariam para uma segunda etapa. O grupo também mantém pontos de arrecadação em Sarandi e em bairros de Maringá e apoia a produção contínua de marmitas.
Igrejas e cidades vizinhas
As igrejas entraram na frente de trabalho pesado. De acordo com o portal Notícias Adventistas, voluntários da Igreja Adventista se juntaram a outros moradores para cortar e retirar árvores caídas de avenidas, entre elas a que passa ao lado do Colégio Adventista da cidade, que ficou sem aulas até 4 de novembro. Outro grupo da mesma igreja planejou a entrega de marmitas na Avenida Tuiuti, no Jardim Colina Verde, uma das regiões mais castigadas, segundo o gabinete de gestão integrada da prefeitura.
A ajuda também veio de fora. Em 5 de novembro, a Prefeitura de Arapongas, também no norte do Paraná, enviou alimentos para Maringá, conforme o Jornal Repórter do Vale. A doação foi recebida pela primeira-dama Bernadete Barros, que informou que os mantimentos seriam usados nas marmitas dos voluntários que trabalham na cidade. “Se cada um puder dar a sua parcela de contribuição, isso vai ajudar muito a diminuir o sofrimento dessas pessoas”, disse o prefeito de Arapongas, Rafael Cita.
Na prefeitura de Maringá, cerca de 500 voluntários já tinham se cadastrado até 5 de novembro para ajudar na limpeza, segundo o prefeito Silvio Barros, que organizou a força-tarefa por bairros, começando pela Zona 7 e seguindo para a Zona 2 e o centro. A administração abriu um cadastro para empresas que possam ceder profissionais, máquinas e caminhões e informou que não há pedido oficial de doações em dinheiro. Profissionais enviados por outros municípios do Paraná reforçaram as equipes.
O estrago foi grande, e a reconstrução vai levar tempo. Mas a história que Maringá está contando nestes dias não é só a dos ventos: é a do vizinho que cozinha para o vizinho, do motoboy que entrega sem cobrar, da igreja que pega a motosserra e da cidade que manda comida para a cidade ao lado. Quando a força da natureza derruba, a força do amor ao próximo levanta. Como escreveu o apóstolo Paulo: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2).
Com informações de GMC Online e Notícias Adventistas.



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