Mundo06/11/2026

Cemitérios cristãos lotados na Índia obrigam famílias a enterrar longe de casa

Com a igreja crescendo, líderes pedem que o governo reconheça a falta de espaço e reserve novas áreas de sepultamento.

Quando John Sukumar morreu, aos 66 anos, no ano passado, a família levou três dias tentando uma vaga em um cemitério cristão de Hyderabad, no sul da Índia, onde ele viveu por quase 41 anos. Não havia mais terreno. Os parentes acabaram levando o corpo a quase 300 quilômetros, até a aldeia natal, e o sepultaram na propriedade da família, a um custo de cerca de 100 mil rupias (cerca de mil dólares), segundo a revista Christianity Today.

A situação não é um caso isolado. De acordo com a reportagem, quase todos os cemitérios cristãos de Hyderabad, Chennai, Bengaluru, Mumbai, Calcutá e Délhi atingiram a capacidade máxima. Hoje, só se aceitam novos sepultamentos quando a família já tem um túmulo antigo, que é reaberto para receber mais caixões. Em um cemitério visitado pela revista, havia lápides com até dez nomes.

O problema atinge todas as denominações, mas pesa mais sobre igrejas independentes e igrejas de casa, que não têm cemitério próprio. Ivan Satyavrata, presidente da Junta de Sepultamento Cristão de Calcutá, disse que a entidade sente a responsabilidade de acolher a todos, mas que o desafio é atender essa demanda dentro de espaços cada vez menores.

Os próprios cemitérios enfrentam pressão. Há relatos de túmulos tratados como “abandonados” quando a família não os visita ao menos uma vez por ano, e de vagas reaproveitadas. Em algumas cidades, as autoridades reservaram terrenos para cristãos, mas eles ficam a 30 ou 60 quilômetros do centro, o que desanima muitas famílias.

O tema já chegou à Justiça. O Tribunal Superior de Délhi afirmou que sepultar não pode ser tratado como atividade comercial e mandou reservar áreas nos planos de desenvolvimento. O de Bombaim deu prazo de dois anos para que as autoridades disponibilizem terrenos, e o de Madras disse que os cemitérios não podem ser “arados como um campo”.

Enquanto isso, algumas famílias recorrem a alternativas, como guardar as cinzas em pequenas covas, e certos cemitérios constroem jazigos verticais, prática que cresce em Kerala. Para Sunitha Rani, viúva de Sukumar, o mais difícil foi não poder viver o luto em paz. Oremos pelas famílias enlutadas e pelos líderes que buscam uma solução.

Com informações de Christianity Today.

Deixe sua palavra

Comentários com respeito e amor edificam a todos.

Reportar um erro

Viu algo errado nesta página? Conte para a equipe da Rádio Aleluia. Obrigado por ajudar!

O que aconteceu?