Evangélicos do Canadá criticam projeto que permite pedir eutanásia com antecedência
Aliança evangélica canadense elogia o fim da eutanásia por doença mental apenas, mas diz que os pedidos antecipados previstos no projeto C-41 são um “precedente perigoso”

A Evangelical Fellowship of Canada (EFC), aliança que reúne os evangélicos do país, criticou o trecho de um projeto de lei do governo canadense que abre caminho para pedidos antecipados de “assistência médica para morrer” (MAID, na sigla em inglês), como a eutanásia é chamada oficialmente no Canadá. O projeto C-41, chamado de Lei de Salvaguardas da Assistência Médica para Morrer, foi apresentado ao Parlamento em 27 de outubro pelo ministro da Justiça, Sean Fraser, e recebeu a primeira leitura naquele dia, segundo o Christian Daily International.
A EFC elogiou o ponto principal do texto, que impede a eutanásia para pessoas cuja única condição é uma doença mental. Para a entidade, essa foi “a conclusão correta”. A ampliação da MAID para esses casos estava prevista para entrar em vigor em março de 2027, e a aliança vinha pedindo ao Parlamento que a revertesse.
O problema, para os evangélicos, está nos chamados pedidos antecipados: a possibilidade de uma pessoa diagnosticada com uma doença que limita a capacidade de decisão, como o Alzheimer, deixar registrado o desejo de receber a eutanásia no futuro, quando já não puder consentir. Pelo projeto, a lei federal fixa os requisitos mínimos, mas cabe a cada província e território decidir se permite esses pedidos, aprovando legislação própria. O governo disse que vai trabalhar com as províncias na implementação.
“Estamos muito preocupados porque o projeto também permitiria pedidos antecipados de MAID quando certos critérios forem atendidos. Nós nos opomos aos pedidos antecipados de eutanásia”, afirmou a EFC em nota. Segundo a aliança, um pedido antecipado cria um “precedente perigoso”, porque é aplicado quando a pessoa já não é capaz de dar consentimento, o que, na avaliação da entidade, desvaloriza a vida humana. A EFC prometeu acompanhar de perto a tramitação.
O Canadá legalizou a assistência médica para morrer em 2016 e ampliou as regras em 2021. Desde então, igrejas e entidades de defesa da vida acompanham cada mudança na lei, e o tema também é debatido em outros países, inclusive no Brasil.
Com informações de Christian Daily International e CTV News.




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