Boas notícias03/11/2026

Policial doa sangue 545 vezes e completa a volta por todos os 85 postos da Austrália

Trevor Bergman, de 59 anos, levou dez anos para doar em cada centro do país; seu plasma raro protege bebês ainda na barriga da mãe

Policial doa sangue 545 vezes e completa a volta por todos os 85 postos da Austrália
Foto: Ethan White/ABC News / ABC News (Austrália)

Numa cadeira reclinável de um centro de doação em Canberra, capital da Austrália, o policial Trevor Bergman, de 59 anos, estendeu o braço pela 545ª vez na vida. Não era uma doação qualquer: era a última parada de uma volta pelo país que levou dez anos e passou por todos os 85 centros de doação da Australian Red Cross Lifeblood, o serviço de sangue da Cruz Vermelha australiana. Ao lado dele, na cadeira vizinha, estava a governadora-geral do país, Sam Mostyn, que aceitou o convite para doar junto, segundo a emissora pública ABC.

A história, contada pela ABC em 30 de outubro de 2026, foi republicada em 3 de novembro pelo site americano Good News Network, que reúne notícias positivas do mundo inteiro, e também ganhou espaço na rádio 3AW, de Melbourne, e em sites de vários países.

Uma ideia de férias

Bergman, que mora em Melbourne, doa sangue desde os 18 anos. A ideia de visitar todos os centros do país nasceu por acaso, cerca de dez anos atrás, durante umas férias em Perth, na costa oeste: ele passou na frente de um banco de sangue e entrou para doar. “Estou de férias aqui; que jeito bom de conhecer a Austrália”, pensou, de acordo com o relato que fez à ABC. Dali em diante, cada viagem ganhou um roteiro diferente: subiu toda a costa leste, atravessou o país até a Austrália Ocidental e chegou a Darwin, no extremo norte.

Em 545 doações, só uma vez ele foi mandado de volta para casa sem doar, segundo o Good News Network. Foi em Albany, no sudoeste do país, quando a equipe percebeu que ele estava um pouco resfriado e pediu que voltasse em outra ocasião. Bergman contou à ABC que não se importou: a segurança do estoque de sangue vem em primeiro lugar. A 85ª e última parada foi concluída em Canberra, em maio de 2026, com uma doação de plasma.

Centro de doação da Australian Red Cross Lifeblood em Brisbane, um dos 85 que Bergman visitou (foto de 2022)
Centro de doação da Australian Red Cross Lifeblood em Brisbane, um dos 85 que Bergman visitou (foto de 2022) Foto: Kgbo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Ao programa 3AW Breakfast, de Melbourne, ele explicou de onde vem o impulso. “Minha mãe e meu pai sempre ajudavam as pessoas e doavam para instituições de caridade”, disse, acrescentando que decidiu seguir o exemplo deles.

Um sangue que protege bebês

O que torna as doações de Bergman ainda mais valiosas é um detalhe invisível. Ele é um dos cerca de 150 australianos que carregam o anticorpo anti-D, usado para produzir um medicamento que impede a doença hemolítica do recém-nascido, um problema que surge quando o sangue da mãe ataca as células do bebê durante a gravidez. Segundo Aania Tandon, da Lifeblood, perto de 48 mil gestantes recebem esse anticorpo por ano na Austrália para proteger seus filhos.

Os números do serviço ajudam a entender por que um doador assim faz diferença. De acordo com a Lifeblood, uma em cada três pessoas no país vai precisar de sangue em algum momento da vida; cerca de 60% dos adultos australianos podem doar, mas só perto de 3% doam. No início de outubro, o serviço fez um apelo urgente depois que os estoques de sangue e plasma caíram ao nível mais baixo em dez anos, por causa de uma longa temporada de gripes e resfriados, informou a ABC.

Ajudar os outros é ajudar a si mesmo

Bergman não trata o feito como recorde. Para ele, segundo a ABC, contribuir com a comunidade é também uma forma de cuidar de si mesmo, e saber que ajudou pessoas em todos os cantos do país é uma satisfação que ele gostaria de ver mais gente experimentar. Por isso, incentiva outras pessoas a seguir o exemplo, como registrou a emissora.

A história do policial australiano viralizou justamente por mostrar que a generosidade não precisa de um grande gesto único: pode ser um hábito pequeno, repetido por décadas, em silêncio, por pessoas que nunca vão conhecer quem receberá o sangue.

É o tipo de constância que a Bíblia recomenda aos que decidem servir: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (Gálatas 6:9). Quem doa sangue não vê o rosto de quem recebe, mas Deus vê os dois.

Com informações de ABC News (Austrália) e Good News Network.

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