Mundo03/11/2026

Confrontos no sul da Etiópia levam cerca de 40 mil pessoas a buscar abrigo no Quênia

Famílias cristãs estão entre os deslocados de Moyale, na fronteira; uma igreja e uma escola abrigam parte dos refugiados, e comissão de direitos humanos pede ajuda urgente

Estrada que leva a Moyale, cidade cortada pela fronteira entre a Etiópia e o Quênia
Estrada que leva a Moyale, cidade cortada pela fronteira entre a Etiópia e o Quênia Foto: george kaguangi / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Cerca de 40 mil pessoas fugiram de confrontos no sul da Etiópia e buscaram abrigo em Moyale, cidade queniana na fronteira entre os dois países, segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia (KNCHR), que em 27 de outubro pediu uma resposta humanitária urgente. Famílias cristãs estão entre os deslocados, de acordo com a organização International Christian Concern (ICC), que relatou em 2 de novembro a situação de comunidades que deixaram casas e igrejas para trás.

A violência começou em Moyale, cidade cortada pela fronteira e situada no limite entre as regiões etíopes de Oromia e Somali. Segundo o jornal etíope Addis Standard, a tensão foi provocada por uma disputa em torno de uma bandeira regional e cresceu depois da morte de uma menina de 13 anos durante uma troca de tiros em 18 de outubro. Os combates, entre forças de segurança das duas regiões, duraram cerca de uma semana e se espalharam por sete distritos. O Acnur, agência da ONU para refugiados, contou cerca de 36 mil pessoas que cruzaram para o Quênia, a maioria mulheres e crianças.

No lado queniano, mais de 15 mil pessoas estão em oito abrigos temporários, entre eles a Igreja Católica de Santa Maria e uma escola secundária, e mais de 20 mil estão hospedadas por parentes e amigos, segundo a KNCHR. As necessidades mais urgentes são comida, água potável, abrigo, saneamento e atendimento de saúde; com as chuvas, a comissão teme surtos de doenças. Quatro mulheres deram à luz nos abrigos.

“Nunca imaginamos que teríamos de deixar nossas casas assim. Tínhamos nossas famílias, nossa igreja e nossas vidas na Etiópia, mas a violência tornou impossível ficar”, disse à ICC um cristão deslocado que pediu para não ser identificado. Outro deslocado, identificado apenas como Dadi, contou que fugiu sem saber onde a família estava e que são os próprios quenianos que estão ajudando os recém-chegados com seus recursos.

O Conselho Mundial de Igrejas pediu às autoridades etíopes que protejam as comunidades cristãs que enfrentam ataques armados no país, lembrando que “o primeiro dever de qualquer governo é proteger seu povo, independentemente de raça, etnia, religião ou outras características”, segundo a ICC. A KNCHR pediu que os governos do Quênia e da Etiópia trabalhem juntos para enfrentar as causas do conflito e que a fronteira seja administrada de forma segura e humana, sem devolução forçada dos refugiados.

Ore pelas famílias separadas em Moyale, pelas igrejas e pelos quenianos que estão abrindo casas e templos para os deslocados, e pela paz na fronteira.

Com informações de International Christian Concern e Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia (KNCHR).

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