Nova lei amplia controle do governo chinês sobre igrejas, aponta relatório da CSW
Organização lista pastores presos ou impedidos de deixar o país e descreve como a Igreja Sião seguiu funcionando mesmo com líderes detidos

A liberdade religiosa na China piorou no último ano com a entrada em vigor, em 1º de julho, da Lei de Promoção da Unidade e do Progresso Étnico, que dá ao Partido Comunista mais poderes para controlar comunidades religiosas, segundo o relatório trimestral de outubro da organização Christian Solidarity Worldwide (CSW). A notícia foi publicada pelo site Christian Daily International em 6 de novembro.
De acordo com a CSW, o artigo 46 da lei transforma em norma a chamada “sinicização” da religião: grupos religiosos, escolas e locais de culto passam a ter a obrigação de promover um sentido de comunidade da nação chinesa, incluindo a adaptação ao socialismo com características chinesas. O artigo 63, por sua vez, prevê responsabilização legal de pessoas e organizações fora da China que, na visão do governo, prejudiquem a “unidade étnica”, o que, para a organização, dá base jurídica à intimidação e vigilância de chineses em outros países.
O relatório reúne casos de cristãos que continuam presos ou sob restrição. O pastor John Cao, que cumpriu sete anos de prisão por fundar 16 escolas em áreas pobres na fronteira com Mianmar e foi solto em 2024, segue com o passaporte retido e não consegue se reunir com a esposa e os dois filhos, cidadãos americanos que vivem na Carolina do Norte. Segundo a CSW, ele trata um câncer de próstata que se espalhou para os ossos, mas estaria em condições de viajar.
Em 5 de agosto, o pastor David Tang, fundador da Igreja Purpose Driven, de Wenzhou, foi detido com um administrador financeiro e cinco obreiros, em uma operação policial que cruzou províncias; as autoridades não informaram o motivo. O pastor Wang Sanyuan, de 73 anos, líder de uma igreja registrada em Jinan, está detido desde 17 de março sem que se saiba onde está nem de que é acusado. E o pastor Sun Chenghao, de 44 anos, cumpre pena de quatro anos e meio por participar de atividades cristãs na Coreia do Sul em 2023; a esposa, Jin Hua, relata piora séria da saúde dele.
O documento também traz um exemplo de resistência. Depois da prisão de 28 líderes da Igreja Sião em outubro de 2025, o pastor Ezra Jin Mingri foi libertado em 4 de julho e passou a defender publicamente a soltura dos seis pastores, um presbítero e a esposa de um pastor que seguem detidos. Segundo a CSW, a igreja, uma comunidade não registrada com pelo menos 5 mil membros, continua funcionando no mesmo nível, porque há anos incentiva os fiéis a ouvir sermões e hinos gravados enquanto caminham ou vão ao trabalho, sem depender de um prédio. “A igreja continua sendo um exemplo de inovação e resiliência dos grupos religiosos sob pressão”, avalia a organização.
A CSW pede que cristãos do mundo todo continuem orando e defendendo os presos por causa da fé na China.
Com informações de Christian Daily International.




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