Cristã executada na China em 1968 ainda é vista como ameaça, diz historiador
Lin Zhao escreveu protestos com o próprio sangue na prisão; seu túmulo tem câmera e portão de aço.

Quase seis décadas depois de o governo de Mao Tsé-Tung executar a jornalista cristã Lin Zhao, aos 36 anos, as autoridades chinesas ainda a veem como ameaça. A avaliação é do historiador Lian Xi, professor de cristianismo mundial na Escola de Teologia da Universidade Duke, em entrevista publicada pela ChinaAid e pelo ASSIST News Service. Ele passou sete anos pesquisando a vida dela para o livro “Blood Letters” (Cartas de sangue).
Segundo Lian, Lin Zhao foi no início uma apoiadora fervorosa da revolução comunista e chegou a se afastar da igreja. Depois de ser perseguida e de ser rotulada como “direitista” em 1958, perdeu a esperança no movimento e voltou a frequentar os cultos. A partir daí, já presa e em oposição aberta a Mao, foi a fé cristã que a sustentou. Na cela, ela fazia sozinha todo domingo de manhã o que chamava de “grande culto”, lembrando trechos da Bíblia e cantando hinos.
Quando lhe tiraram os instrumentos de escrita, usou o próprio sangue como tinta. O historiador explica que essa forma extrema de protesto vem de uma tradição chinesa de séculos, ligada à devoção, e que ela encarava a prisão como uma batalha espiritual, mantendo o que chamava de “linha política de Cristo”.
No início dos anos 1980 o caso dela foi revisto, ela foi declarada inocente e seus escritos voltaram à família. Hoje, porém, a lembrança é vigiada: em 2008, uma câmera de vigilância foi instalada sobre o túmulo e, depois, um portão de aço. Segundo Lian, nos aniversários de sua morte, em 29 de abril, a polícia já dispersou encontros e deteve visitantes. Em 2018, um homem que se arrastou sob o portão para deixar flores foi preso por quatro anos.
O legado dela vive no Prêmio Lin Zhao de Liberdade, concedido desde 2018 pela ChinaAid a defensores dos direitos humanos e da liberdade religiosa na China. Para Lian, a mensagem a quem sofre em silêncio é que não está esquecido nem sozinho. Que o Senhor fortaleça os irmãos chineses que permanecem fiéis.
Com informações de ASSIST News Service.



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