Mundo07/11/2026

Jovem diácono copta é morto na Líbia após recusar deixar a fé, dizem organizações

Milad Malak, de 20 anos, foi sequestrado por extremistas em Zliten em 4 de outubro; dois amigos muçulmanos foram libertados e ele não

Jovem diácono copta é morto na Líbia após recusar deixar a fé, dizem organizações
Foto: Igreja copta no Cairo, Egito. Foto: Open Doors / International Christian Concern

Um cristão copta egípcio de 20 anos, Milad Malak, foi morto na Líbia por militantes do grupo Estado Islâmico depois de se recusar a abandonar a fé cristã, segundo as organizações International Christian Concern (ICC) e Portas Abertas. Ele havia sido sequestrado em 4 de outubro na cidade de Zliten, junto com dois amigos muçulmanos que viajaram com ele em busca de trabalho. Os dois foram libertados; Milad, o único cristão do grupo, não voltou.

Milad era diácono em uma igreja copta de Sebarbay, vila da província de Gharbia, no norte do Egito. Como muitos jovens egípcios, deixou o país por causa da crise econômica: de acordo com a ICC, ele partiu para a Líbia em 2 de setembro e se instalou em Zliten com outros trabalhadores egípcios. Na manhã de 4 de outubro, os militantes capturaram o grupo e passaram a exigir resgate.

Ainda segundo a ICC, os amigos foram soltos depois que as famílias pagaram 4.700 dólares e hoje recebem tratamento médico em um hospital no Egito. A irmã de Milad, Madonna Malek, contou ao site Worthy News que a família também pagou o resgate, mas os sequestradores se recusaram a libertá-lo e passaram a pressioná-lo, com violência, para que se convertesse ao islamismo. Portas Abertas afirma que a pressão durou vários dias e incluiu tortura e ameaças de morte.

Os amigos relataram à família que Milad se manteve firme até o fim. Segundo a ICC, ele teria dito aos captores: “Mesmo que me cortem em pedaços, eu jamais renunciaria à minha fé”. Quando perceberam que não conseguiriam fazê-lo mudar de religião, os militantes o mataram. A família pediu ao governo egípcio que intervisse para trazer o corpo de volta, o que só aconteceu semanas depois. Em 28 de outubro, parentes e irmãos de igreja se reuniram para o funeral.

A Líbia ocupa a nona posição na Lista Mundial da Perseguição da Portas Abertas, que classifica os países onde é mais difícil ser cristão. País de maioria muçulmana e sem governo unificado desde 2011, a Líbia atrai milhares de trabalhadores egípcios, e os cristãos coptas entre eles ficam especialmente vulneráveis. O caso de Milad lembrou a muitos o massacre de fevereiro de 2015, quando 20 coptas egípcios e um cristão de Gana foram decapitados por extremistas numa praia líbia após se recusarem a negar a Cristo.

As organizações pedem oração pela família de Milad, pelos dois amigos que presenciaram sua coragem e pelos cristãos do Egito que enfrentam hostilidade por causa da fé.

Com informações de International Christian Concern e Open Doors UK.

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