Cristãos do Canadá ligam o cuidado com os pobres à fé, mas muitos não sabem como ajudar
Pesquisa de rede de entidades cristãs de ajuda humanitária ouviu 685 pessoas: 74% veem o combate à pobreza como parte de seguir a Jesus, e 40% se dizem inseguros

Quase três em cada quatro cristãos canadenses ouvidos numa nova pesquisa afirmam que se importar com a pobreza no mundo faz parte de seguir a Jesus, mas 40% dizem não saber como ajudar de forma sábia e eficaz. O estudo, chamado “Corações dispostos, mãos inseguras”, foi divulgado em outubro pela Kentro Christian Network, rede nacional de organizações cristãs canadenses de ajuda humanitária e desenvolvimento, em parceria com o Centro de Pesquisa de Base Comunitária, segundo o Christian Daily International.
A pesquisa recebeu 685 respostas entre 23 de fevereiro e 10 de abril e foi completada com quatro grupos de discussão com líderes de igreja e funcionários de entidades. Os próprios autores avisam que não se trata de uma amostra aleatória: os participantes são doadores, líderes e trabalhadores já ligados às organizações que divulgaram o questionário. A maioria frequenta a igreja toda semana, e quase dois terços têm 55 anos ou mais.
Os números mostram uma distância entre a generosidade e outras formas de ação. Nos 12 meses anteriores, 87% tinham doado dinheiro para causas ligadas à pobreza e 82% tinham orado por elas, mas só 17% tinham feito algum tipo de defesa pública da causa. Entre os inseguros, 32% disseram não saber quais atitudes fazem diferença de verdade, e 19% se sentem desanimados pelo tamanho do problema. A desconfiança não parece ser o motivo: 92% desse grupo confiam moderada ou muito nas entidades cristãs.
A pesquisa também mostra em quem os participantes mais confiam: 79% dão mais crédito a alguém que viveu a pobreza na própria comunidade, à frente de jornalistas, pesquisadores e governo. A dificuldade financeira foi a principal barreira citada para um envolvimento maior, mencionada por 46%. Mais da metade (54%) acredita que a pobreza aumentou na última década, embora os dados do Banco Mundial apontem queda de cerca de 2,3 bilhões de pessoas em pobreza extrema em 1990 para uma estimativa de 831 milhões em 2025, com avanço mais lento nos últimos anos.
A Kentro informou que o estudo será o ponto de partida de uma campanha de vários anos para incentivar os cristãos a ir além da doação e da oração, apoiando líderes locais e compartilhando histórias de quem vive nas comunidades atendidas. A rede pretende repetir a pesquisa no futuro, com mais participantes.
Com informações de Christian Daily International.



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