Curiosidades22/10/2026

Estrelas anãs brancas podem brilhar em verde, rosa e roxo, mostra estudo britânico

Astrônomos da Universidade de Warwick calcularam a cor que esses astros teriam ao olho humano e acharam o que seria a primeira estrela verde conhecida

Estrelas anãs brancas podem brilhar em verde, rosa e roxo, mostra estudo britânico
Foto: reprodução / University of Warwick

Quem já olhou um livro de astronomia aprendeu que as estrelas têm cores: as mais quentes puxam para o azul, as mais frias para o vermelho, e o Sol fica no meio do caminho. Um estudo da Universidade de Warwick, no Reino Unido, mostra que um tipo especial de estrela não segue essa regra. Segundo os pesquisadores, algumas anãs brancas, se pudessem ser vistas de perto, brilhariam em verde, rosa, roxo, amarelo ou ciano. Uma delas seria, até onde os autores sabem, a primeira estrela realmente verde conhecida na nossa galáxia.

O trabalho foi divulgado pela universidade em 15 de outubro e publicado na revista científica RAS Techniques and Instruments, da Real Sociedade Astronômica britânica, com o título, em tradução livre, “Qualquer cor que você quiser: as cromaticidades diversas das anãs brancas”. O estudo foi liderado pelo astrônomo Mark Hollands.

O que é uma anã branca e por que ela foge da regra

Anã branca é o que sobra de uma estrela como o Sol depois que ela gasta o combustível do seu interior: um corpo muito pequeno e muito denso, que continua brilhando enquanto esfria. Por serem pequenas e fracas, nenhuma anã branca pode ser vista a olho nu. A mais próxima do Sistema Solar é Sirius B, companheira da estrela Sirius, a mais brilhante do céu noturno.

A maioria das estrelas funciona, nas palavras dos astrônomos, como um “radiador perfeito”: a cor depende quase só da temperatura. Nas anãs brancas mais frias, porém, a atmosfera é tão comprimida que chega a cerca de 1 grama por centímetro cúbico, a mesma densidade da água. Nessa situação, pequenas quantidades de certos elementos passam a absorver faixas largas da luz. É como se a estrela vestisse um filtro colorido, que tira algumas cores e deixa outras passarem.

Para descobrir o resultado, a equipe pegou os espectros de luz que os astrônomos já medem rotineiramente e os passou por um modelo da visão humana, que calcula a cor que o olho perceberia. Foram analisadas 151 anãs brancas que estão a até 20 parsecs da Terra, o equivalente a cerca de 65 anos-luz, uma vizinhança bem conhecida.

Verde, rosa, amarelo e ciano

Na amostra, cinco estrelas tinham cores fora do comum: duas amarelas e três cor-de-rosa. A partir disso, os pesquisadores estimam que cerca de uma em cada 30 anãs brancas do universo brilha com uma cor incomum. As outras 146 ficaram na faixa do branco. A temperatura de cor típica do grupo ficou em torno de 6.800 kelvins, o que ao olho parece branco. Ou seja, apesar da fama de azuladas, a anã branca média é branca mesmo. A fama, explicam os autores, vem do fato de as mais quentes e azuis serem mais brilhantes e, por isso, mais fáceis de encontrar nos levantamentos do céu.

Cada cor conta uma história sobre a estrela. Segundo a universidade, as rosadas ou arroxeadas têm atmosfera rica em carbono, trazido do interior por correntes profundas e que forma moléculas que absorvem boa parte da luz. As amarelas estão enriquecidas com restos de asteroides e cometas. As de tom ciano, ou azul-claro, têm atmosfera fria de hidrogênio e hélio, em que as moléculas de hidrogênio colidem com átomos de hélio.

A estrela verde é a WD J1330+6435. Ela tem cerca de 4.000 graus Celsius e uma atmosfera enriquecida com cálcio, lítio e sódio, vindos de material rochoso de antigos corpos do seu sistema planetário que caiu sobre ela. Esses elementos absorvem a parte alaranjada da luz, e o que sobra, nos modelos da equipe, é um verde-limão. Outra estrela citada, a WD J1011+2845, a cerca de 48 anos-luz, pode ser a mais vermelha já registrada, com um brilho rosa-salmão.

“Essas estrelas incrivelmente densas podem produzir cores que ninguém esperava”, resumiu Hollands no comunicado da universidade. Vale lembrar que essas cores são o que o olho humano veria se estivesse perto desses astros. Daqui, mesmo com telescópio, elas são só pontos fracos de luz, e o retrato colorido nasce da análise da luz que chega até nós.

Cada estrela com seu brilho

Há quase dois mil anos, o apóstolo Paulo escreveu aos coríntios uma frase que soa curiosamente atual diante desse estudo: “Uma é a glória do sol, outra a glória da lua e outra a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela” (1 Coríntios 15:41). Paulo falava de outro assunto, a ressurreição, mas usou o céu como exemplo de variedade. A ciência continua descobrindo que até os restos de estrelas têm cada um o seu brilho, e quem crê enxerga nisso a assinatura de um Criador que não se repete.

Com informações de University of Warwick e FOX 5 New York.

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