Oliveira
A oliveira era uma das árvores mais abundantes e características da Judeia, crescendo livremente em quase todas as margens do Mediterrâneo, sendo particularmente numerosa na Palestina. Os olivais eram uma parte natural da paisagem, assim como as vinhas e os campos de cereais (Juízes 15:5). A oliveira é mencionada na primeira parábola do Antigo Testamento, a de Jotão (Juízes 9:9), e é citada entre as bênçãos da “boa terra” (Deuteronômio 6:11; Deuteronômio 8:8).
O fruto da oliveira, a azeitona, era altamente valorizado. O melhor azeite era obtido de azeitonas colhidas antes de estarem totalmente maduras e, em seguida, batidas ou espremidas (Deuteronômio 24:20; Isaías 17:6). Este azeite era conhecido como “azeite batido” ou “azeite puro”, usado, por exemplo, para manter a lâmpada do candeeiro acesa continuamente (Êxodo 27:20). Havia também lagares de azeite onde as azeitonas eram pisadas com os pés (Miqueias 6:15).
A oliveira tinha uma conexão íntima com a vida doméstica dos israelitas, seu comércio e até mesmo suas cerimônias públicas e culto religioso. Sua madeira era usada em construções importantes, como no templo de Salomão. A árvore prospera em locais quentes e ensolarados, cresce lentamente, mas vive por muito tempo, e sua folhagem verde-acinzentada é um símbolo de vigor e prosperidade. O profeta Isaías compara a escassez de azeitonas após a colheita à desolação que viria sobre a terra (Isaías 24:13).
A oliveira é usada como emblema de prosperidade, beleza e privilégio religioso (Salmos 52:8; Jeremias 11:16; Oseias 14:6). A pomba que Noé soltou da arca retornou com um ramo de oliveira em seu bico, indicando que as águas haviam baixado (Gênesis 8:11). No livro de Apocalipse, as duas “testemunhas” são descritas como “duas oliveiras” que estão diante do Senhor da terra (Apocalipse 11:4), uma imagem que remete às duas oliveiras mencionadas em Zacarias 4:3, 11-14.
Em Romanos 11:16-25, o apóstolo Paulo usa a oliveira em uma de suas alegorias para ilustrar a relação entre judeus e gentios. Ele se refere à prática de enxertar ramos de oliveira brava em uma oliveira cultivada que se tornou infrutífera. Nesse processo, a seiva da oliveira boa, ao permear o ramo enxertado, o torna um bom ramo, capaz de produzir bons frutos. Assim, os gentios, que eram como uma “oliveira brava por natureza”, mas agora “enxertados”, produzem frutos somente pela seiva da árvore na qual foram enxertados. Paulo descreve esse processo como “contra a natureza”.
Verbete da Rádio Aleluia baseado em Easton's Bible Dictionary (1897) · Smith's Bible Dictionary (1863), obras em domínio público, revisado e atualizado pela equipe.