Mundo28/10/2026

Engenheiro copta é preso no Egito por criticar ensino islâmico obrigatório na internet

Sherif Wagih Fahmi está incomunicável desde 5 de outubro; no mesmo mês, seis jovens cristãos detidos por um vídeo no TikTok tiveram a soltura determinada

O engenheiro cristão copta Sherif Wagih Fahmi, de 41 anos, foi preso em 5 de outubro em sua casa, em Alexandria, no Egito, e desde então está sem contato com a família e com advogados, segundo a organização de direitos humanos Coptic Solidarity. A detenção teria sido motivada por publicações no Facebook em que ele criticava a imposição do ensino islâmico a alunos que não são muçulmanos. De acordo com a Morning Star News, agentes da Agência de Segurança Nacional chegaram em veículos militares, revistaram a casa e o levaram.

Fahmi foi acusado de “desprezo ao islã”, mas ainda não recebeu número de processo para comparecer à Justiça, e não se sabe ao certo onde ele está detido. No Egito, o ensino religioso é obrigatório na escola. Pela regra, crianças cristãs podem ser dispensadas das aulas de islã, mas organizações de direitos humanos relatam que isso muitas vezes não é respeitado e que o Alcorão é usado como texto principal até em aulas de árabe e de estudos sociais.

A orla de Alexandria, no norte do Egito, cidade onde o engenheiro foi preso
A orla de Alexandria, no norte do Egito, cidade onde o engenheiro foi preso Foto: Vyacheslav Argenberg / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

No mesmo mês, seis jovens coptas da aldeia de Taha Al-Aamida, na província de Minya, um deles com 17 anos, foram detidos em 6 de outubro depois de publicar no TikTok a encenação de uma cena de um filme de comédia egípcio, aprovado pela censura e exibido com frequência na televisão do país. Eles foram acusados de zombar da oração islâmica. Em 26 de outubro, a Iniciativa Egípcia pelos Direitos Pessoais confirmou que a Promotoria Suprema de Segurança do Estado mandou soltá-los sem fiança enquanto aguardam eventuais desdobramentos do processo.

Outros casos seguem na Justiça. O julgamento de Said Mansour Rezk Abdelrazek, de 30 anos, convertido do islã e preso desde julho de 2025, foi adiado para 3 de novembro. Organizações como a Anistia Internacional afirmam que as acusações contra ele são uma punição pela conversão. Já o pesquisador copta Augustinos Samaan, que mantinha um canal no YouTube sobre a fé cristã e foi condenado em janeiro a cinco anos de prisão com trabalhos forçados, tem o último recurso marcado para 15 de novembro na Corte de Cassação.

O Egito abriga a maior comunidade cristã do Oriente Médio, formada principalmente por coptas, e ocupa o 42º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026, da Portas Abertas.

Vale orar por Sherif Fahmi e sua família, pelos jovens de Minya e por Said Abdelrazek e Augustinos Samaan, para que tenham julgamentos justos e firmeza na fé.

Com informações de Morning Star News.

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