Boas notícias19/10/2026

Igreja metodista de Nashville mantém banco de alimentos que começou num armário

Toda terça-feira, voluntários entregam sacolas de mantimentos a famílias que trabalham, mas não conseguem fechar o mês com a alta dos preços nos Estados Unidos

Igreja metodista de Nashville mantém banco de alimentos que começou num armário
Foto: WKRN / WKRN News 2

Toda terça-feira à noite, a frente de um templo em Bellevue, bairro de Nashville, no estado americano do Tennessee, vira ponto de encontro de famílias que precisam de ajuda para encher a despensa. Ali funciona o Bellevue Community Food Bank, um banco de alimentos que nasceu, décadas atrás, num pequeno armário da Bellevue United Methodist Church, a Igreja Metodista Unida de Bellevue, e hoje atende moradores de cinco códigos postais da região. A história, contada pela emissora WKRN em 15 de outubro, chama atenção pela simplicidade: não há grandes patrocinadores, mas há vizinhos que doam, voluntários que separam comida e uma regra que orienta tudo, a dignidade de quem vem buscar.

Segundo a reportagem, o banco atende de 70 a 90 pessoas a cada terça-feira à noite. Cada uma recebe uma sacola de mantimentos de acordo com o tamanho da família: quanto maior a casa, maior a necessidade e mais comida vai para casa. De acordo com o próprio banco de alimentos, 3.564 famílias receberam uma sacola já montada ao longo de 2025.

Uma enfermeira aposentada à frente do trabalho

Quem coordena o serviço é Pam Walden, enfermeira aposentada que encontrou nesse trabalho um novo capítulo da vida dedicada a cuidar dos outros. Para ela, as duas funções se parecem. É um papel de cuidado, disse à WKRN, que exige gentileza, mas também algumas regras.

Walden conta que as pessoas atendidas não são, em geral, quem está nas ruas. São famílias que trabalham, muitas com filhos, e que estão tentando de todo jeito não perder a casa onde moram. A procura, segundo ela, cresceu junto com o preço dos alimentos nos supermercados. Para dar conta, o atendimento foi ampliado e hoje cobre áreas como West Nashville, Bellevue, Fairview e Pegram.

Cada sacola leva cerca de 20 itens. Além de alimentos não perecíveis, as famílias podem levar carne congelada, pão e sobremesa, e o banco também oferece ração para animais de estimação, produtos de uso doméstico e um item à escolha da própria pessoa. É nesse detalhe que a coordenadora vê o sentido do trabalho. Tudo gira em torno da dignidade, resumiu, explicando que a equipe quer que cada pessoa saiba que aquele é um lugar seguro.

Sustentado pela vizinhança

O banco informa que é sustentado inteiramente por doações de alimentos e de dinheiro da comunidade e que não recebe verbas do governo federal nem do estado. Segundo a WKRN, parte dos mantimentos é comprada a preço reduzido por meio de uma parceria com a Second Harvest, organização de combate à fome da região.

A participação dos moradores é o que mantém as prateleiras cheias. Na frente da igreja há uma caixa onde qualquer pessoa pode deixar compras, e, segundo o site do banco, esse armário de doações fica disponível 24 horas por dia. Há ainda quem contribua com vales-compra de redes de supermercado e voluntários que usam esses cartões para fazer as compras do banco. Walden diz que a comunidade de Bellevue tem sido fenomenal: quer servir como voluntária, quer doar comida e dinheiro.

No momento, a maior necessidade é de proteínas que não estragam fora da geladeira, como frango em lata e ensopado de carne enlatado. Empresas e grupos da cidade também podem ajudar organizando campanhas de arrecadação. O próprio banco avisa que doações grandes e de produtos frescos precisam ser combinadas antes, e que não aceita itens como carrinhos de bebê, roupas e móveis.

Para quem vê de fora, chama atenção o tamanho do coração dos voluntários. A coordenadora diz ter a equipe mais dedicada que alguém poderia ter e descreve as famílias atendidas como pessoas gentis e agradecidas. Dar comida a elas, afirmou, é também uma recompensa para quem serve.

Uma porta aberta ao lado do templo

Histórias assim são comuns em muitas igrejas, no Brasil e no exterior, e raramente viram notícia. Elas lembram que a fé se mostra também numa sacola bem montada, num armário aberto a qualquer hora e no cuidado de tratar quem precisa como alguém que merece respeito. Jesus disse que, no fim, ouvirão palavras de bênção aqueles que serviram ao próximo: “porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber” (Mateus 25:35). Num bairro de Nashville, essa frase ganha forma toda terça-feira à noite.

Com informações de WKRN News 2 e Bellevue Community Food Bank.

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