Boas notícias14/10/2026

Depois das enchentes, programa prepara escolas e entidades de 11 cidades gaúchas

Construir Juntos, da ONG Parceiros Voluntários, formou 217 lideranças comunitárias e ajudou instituições a criar planos de contingência para eventos extremos

Depois das enchentes, programa prepara escolas e entidades de 11 cidades gaúchas
Foto: reprodução / Jornal do Comércio

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul deixaram marcas que ainda não se apagaram. Mas, em 11 cidades gaúchas, uma parte dessa história está sendo reescrita de outro jeito: em vez de esperar a próxima cheia para agir, escolas públicas e organizações sociais passaram os últimos meses aprendendo a se preparar para ela. O programa Construir Juntos, da organização Parceiros Voluntários, encerrou sua edição em 8 de outubro, com a apresentação dos resultados no Salão de Atos da PUCRS, em Porto Alegre.

A proposta chama a atenção justamente por mudar o foco. Durante as enchentes, a entidade atuou na emergência, organizando doações, logística e arrecadação de recursos. Agora, o objetivo foi deixar algo que dure: comunidades mais organizadas, com lideranças treinadas e planos prontos para manter de pé os serviços essenciais quando a água subir de novo.

Quem participou e o que foi feito

Segundo o balanço divulgado pela organização e publicado pelo jornal O Sul, o programa mobilizou 201 organizações da sociedade civil. Dessas, 50 foram selecionadas por edital e receberam R$ 20 mil cada de um fundo criado para o projeto, o Fundo Semente para Resiliência, somando R$ 1 milhão destinados ao fortalecimento das instituições e à elaboração de planos de contingência. Para ter acesso ao dinheiro, cada entidade precisava apresentar um projeto e participar das capacitações, de acordo com o Jornal do Comércio.

Ao todo, foram 200 horas de atividades de formação, com 323 participantes. O programa formou 217 lideranças comunitárias e colocou em prática 50 ações preventivas nos territórios atendidos. O Jornal do Comércio informa ainda que o investimento total do programa em ações sociais e sustentáveis chegou a R$ 2,5 milhões.

As cidades atendidas foram Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Cachoeirinha, Sapucaia do Sul, Caxias do Sul, Estrela, Lajeado, Nova Prata, Pelotas e Santa Rosa, espalhadas pela Região Metropolitana, pelo Vale do Taquari, pela Serra Gaúcha, pelo Sul e pelo Noroeste do estado.

Prevenção que começa na sala de aula

Uma das frentes mais bonitas do programa aconteceu dentro das escolas públicas. Foram 36 turmas, com 785 estudantes e 105 professores envolvidos diretamente. Cada escola teve 20 horas de oficinas para os alunos e 12 horas de formação para os educadores, com temas como mudanças climáticas, mapeamento dos riscos do próprio bairro, protocolos de emergência e a ideia de que a prevenção é responsabilidade de todos. Cada instituição participante recebeu R$ 3 mil para aplicar em ações próprias.

Como os estudantes levam o que aprendem para casa, a organização estima que o alcance indireto do trabalho nas escolas chegou a 108.869 pessoas.

Em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana, alunos do 6º ano de uma escola municipal saíram às ruas para entrevistar moradores e descobrir quais eram as necessidades da comunidade. Com o recurso recebido, a escola fez uma visita ao Museu de Ciência e Tecnologia da PUCRS, melhorou a horta escolar e instalou uma cisterna para captar água da chuva, conforme relatou o Jornal do Comércio. É o tipo de aprendizado que sai do caderno e vira cuidado com o lugar onde se vive.

Um plano para nunca precisar usar

O resultado final mais concreto do programa são os planos de contingência elaborados pelas próprias instituições: documentos que dizem o que fazer, quem procurar e como continuar atendendo as pessoas quando vier uma crise. A superintendente da Parceiros Voluntários, Graziela Loureiro, resumiu a intenção ao dizer que essas organizações, idealmente, jamais precisariam colocar o plano em prática. Ao mesmo tempo, ela lembra que os eventos extremos estão cada vez mais presentes na realidade gaúcha. “A resiliência climática precisa ser construída de forma contínua e compartilhada”, afirmou, segundo O Sul.

A Parceiros Voluntários é uma organização sem fins lucrativos e apartidária, com 29 anos de atuação, segundo o Jornal do Comércio. O Construir Juntos, o maior programa da entidade, foi pensado no fim de 2025, a partir da experiência acumulada no atendimento às vítimas das cheias.

Há algo de profundamente cristão em ver uma comunidade que, depois de passar pela tragédia, decide se organizar para que o vizinho sofra menos da próxima vez. Professores, estudantes, voluntários e entidades que dividem o peso uns dos outros vivem, talvez sem perceber, um conselho antigo do apóstolo Paulo: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2). Preparar-se juntos também é uma forma de amar o próximo.

Com informações de Jornal do Comércio e O Sul.

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