Curiosidades28/10/2026

Fantoche vira “mãe” de corujinha órfã em centro de resgate no Pará, e vídeo encanta a web

Em Belém, cuidadores escondem o rosto e alimentam o filhote de suindara com uma luva em forma de coruja adulta, para que ele cresça sem se apegar às pessoas

Fantoche vira “mãe” de corujinha órfã em centro de resgate no Pará, e vídeo encanta a web
Foto: reprodução / CNN Brasil

O filhote ainda não tem penas. Acomodado num pote de plástico, ele abre o bico e recebe a comida de uma seringa, mas quem parece alimentá-lo é uma coruja adulta de pano. Por trás da luva em forma de ave, uma cuidadora de máscara, com o rosto escondido, faz o trabalho de mãe. A cena foi gravada no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em Belém, e se espalhou pelas redes sociais na segunda quinzena de outubro de 2026.

O vídeo foi publicado pelo próprio centro no Instagram e, depois de viralizar, virou reportagem da CNN Brasil em 27 de outubro. O bichinho é um filhote de suindara, a ave também conhecida como coruja-da-igreja ou rasga-mortalha, muito comum em todo o Brasil e famosa pelo rosto branco em forma de coração.

Suindara adulta, a coruja-da-igreja, com o rosto branco em forma de coração
Suindara adulta, a coruja-da-igreja, com o rosto branco em forma de coração Foto: Leosanchezbr / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Por que a cuidadora se esconde

O fantoche não está ali para enfeitar. Segundo a reportagem, trata-se de um manejo anti-imprinting, um conjunto de cuidados para impedir que o filhote se acostume com seres humanos enquanto é criado longe dos pais. Ao imitar a mãe na hora da comida e manter as pessoas fora da vista, a equipe preserva os instintos da ave, inclusive o de desconfiar e se proteger, e aumenta as chances de que ela sobreviva quando for devolvida à natureza.

Na publicação, o centro resumiu a preocupação da equipe: “Cada detalhe importa para preservar o comportamento natural e garantir uma soltura com sucesso no futuro”.

O nome da técnica vem de um fenômeno descrito pelo cientista austríaco Konrad Lorenz, que estudou filhotes de gansos e patos recém-saídos do ovo. Nos primeiros dias de vida, muitos filhotes aprendem a reconhecer e a seguir a figura que cuida deles. Na natureza, essa figura é a mãe. Num centro de resgate, poderia ser a mão humana que traz a comida, e um animal que se apega às pessoas dificilmente consegue viver sozinho depois.

Do pote de plástico ao céu

O vídeo de Belém mostra, em poucos segundos, um cuidado que normalmente acontece longe das câmeras. Cada refeição dada pelo fantoche é um passo na preparação para o dia em que a suindara não vai mais precisar de ninguém: crescer, ganhar penas, aprender a voar e, por fim, caçar sozinha.

O centro da UFRA recebe animais silvestres e exóticos que chegam de acidentes, resgates, apreensões do tráfico e entregas voluntárias, e faz a triagem, o tratamento e, quando possível, a soltura. Entre os pacientes que já passaram por lá, segundo reportagens anteriores sobre o centro, estão até peixes-bois da Amazônia. Por isso, a orientação de quem trabalha na área é sempre a mesma: quem encontrar um filhote de ave silvestre não deve criá-lo em casa, e sim procurar os órgãos ambientais do estado ou a polícia ambiental.

Encanto nas redes

Parte do sucesso do vídeo vem do contraste: a máscara e a luva de pano, que poderiam parecer estranhas, revelam um cuidado delicado com um bicho que ainda cabe na palma da mão. A CNN Brasil, que classificou a gravação como viral, destacou justamente esse detalhe: a mão humana existe, mas o filhote só enxerga a “mãe” coruja.

Há algo bonito em ver gente que se esconde para que um filhote cresça livre. A equipe não quer o carinho da ave, quer vê-la voar um dia longe dali. É um jeito humilde de cuidar da criação, reconhecendo que cada criatura tem o seu lugar no mundo que Deus fez. Como diz o salmista: “Ó Senhor, quão multiformes são as tuas obras! Todas elas as fizeste com sabedoria; a terra está cheia das tuas riquezas” (Salmos 104:24).

Com informações de CNN Brasil.

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