Igrejas de Gana querem proteger a identidade cristã das escolas missionárias
Igrejas querem manter capelanias e tradição cristã nas escolas que fundaram, mesmo com verba pública, sem ferir a liberdade religiosa dos alunos

O Conselho Cristão de Gana defendeu que a revisão da Constituição do país garanta às escolas fundadas por igrejas o direito de preservar sua identidade religiosa, ao mesmo tempo em que protege a liberdade de crença dos estudantes. A posição foi apresentada em 5 de outubro, num fórum promovido pelo Instituto de Assuntos Econômicos em Acra, a capital, segundo o Christian Daily International, com base na Agência de Notícias de Gana.
Quem falou em nome do conselho foi o reverendo Paul Kwabena Boafo, ex-bispo presidente da Igreja Metodista de Gana. Ele lembrou que a Constituição ganense de 1992 garante, no artigo 25, o direito à educação e, no artigo 21, a liberdade de pensamento, consciência, crença e religião. Para Boafo, as mudanças propostas devem respeitar esses direitos sem enfraquecer o caráter religioso legítimo das escolas missionárias.
O debate nasceu das recomendações de uma Comissão de Revisão Constitucional. O texto propõe que as escolas missionárias que recebem apoio do governo mantenham capelanias, símbolos religiosos e seu modo próprio de funcionar, mas que a participação em cultos e no ensino doutrinário seja voluntária. Também prevê proteção contra discriminação religiosa na matrícula, no internato, na disciplina e na escolha de líderes estudantis, além de alternativas para quem não participar dos cultos.
O conselho apoiou as medidas contra a discriminação, mas insistiu que as escolas continuem livres para preservar suas tradições, desde que não violem os direitos dos alunos. Em novembro de 2025, o Conselho Cristão e a Conferência dos Bispos Católicos de Gana já haviam afirmado, em nota conjunta, que o apoio financeiro do Estado não transfere ao governo a propriedade nem a identidade religiosa dessas instituições.
Em Gana, muitas das escolas mais bem avaliadas do país foram fundadas por igrejas. A discussão ganhou força depois que famílias muçulmanas reclamaram de restrições a práticas como o jejum e a oração em escolas cristãs, caso que chegou à Justiça envolvendo a Wesley Girls’ Senior High School. O governo apresentou sua posição sobre as propostas em julho de 2026 e criou uma comissão para estudar como aplicá-las.
Com informações de Christian Daily International.



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